1 de nov. de 2009

Cheiro de terra molhada no ar...




Texto e foto de Valéria del Cueto

Chove lá fora, chove aqui dentro. Chove, chove, chove. Cheguei na chuva, que me pegou no caminho. O cheiro de terra quente molhada me fez reduzir ainda mais o passo que já era lento, preguiçoso e demorado, compassado pelos grossos pingarotes que começaram a se esborrachar, um a um, no terrenos dos jardins da fada (um dia pretendo apresentá-la a você, leitor companheiro, mas não agora). Decidi rumar para a rua da Piscina, sem número e comemorar a chuva com as plantas do jardim do chalé, recém podadas.

Como dizia, o cheiro da terra molhada quase me fez parar, no meio do caminho. Hipnótico, inebriante. Deliciosamente inebriante. Continuei no meu ritmo de cheiro de terra molhada, sabendo que em breve ele me libertaria e só ficaria fixado na minha imaginação olfativa.

É verdade. Você já reparou? Ele, o cheiro, é como uma onda. Única. Isso mesmo: vem, arrebenta e passa igualzinho a uma onda do mar só que, como já disse, única, solitária. O que fica depois no ar é só sua espuma espelhada, um leve aroma esquecido, um fino fio que nos lembra que a mãe natureza passou por ali.

* continua no SEM FIM...

8 comentários:

  1. A sua foto e a do Jairo valeram o domingo. obrigado a ambos.

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  2. Valéria, parabéns pelo texto e pelas fotos.O cheiro de terra molhada que traz consigo tanta emotividade e sensação de frescor, ar puro e leve, nada mais é do que o resultado do contato da água com os fungos que estão na terra.Como dizia Lavoisier,SIC-"Na natureza nada se perde nada se cria, tudo se transforma".Aliás, é também o mesmo princípio do Croquete.Mas que cheiro de terra molhada é muito bom, isso é.

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  3. É, Poirot, croquete é um exemplo clássico da lei de Lavoisier. Foi vendo a cozinheira francesa que trabalhava em sua casa que ele teve a idéia do enunciado final da sua mais conhecida sistematização sintética da transmutação natural.

    Depois, ficou tão emocionado que, distraído mordeu o croquete e não notou que estava fervendo. Queimou a lingua...

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  4. Valéria, tem como enviar fotos para o Blog?

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  5. Olha só musicalíssima Valéria, para curtir o fim do feriadão.
    http://www.youtube.com/watch?v=geDHzXg56UU&feature=channel

    Skank - Sutilmente
    E quando eu estiver triste
    Simplesmente me abrace
    Quando eu estiver louco
    Subitamente se afaste
    Quando eu estiver fogo
    Suavemente se encaixe

    E quando eu estiver triste
    Simplesmente me abrace
    E quando eu estiver louco
    Subitamente se afaste
    E quando eu estiver bobo
    Sutilmente disfarce

    Mas quando eu estiver morto
    Suplico que não me mate, não
    Dentro de ti, dentro de ti

    Mesmo que o mundo acabe, enfim
    Dentro de tudo que cabe em ti

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  6. Dito e feito Valeria. Muito apaixonante.

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  7. Anônimo das 17hs: o blog aceita fotos e vídeos somente nas postagens( não nos comentários).
    Por isso virei a VJ do Tribuna. Vocês pedem, eu atendo. Audio não aceita não. A não ser que a gente faça um podcast, (o que já pensei em fazer), como o que eu tenho:
    http://valeria-delcueto.podomatic.com
    Se você confiar na gente, pode mandar o mp3 pelo email jtribuna10@gmail.com que a gente mantém o sigilo e se der, publica, sem problemas.

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