Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA

15 de jan. de 2026

Vem aí - crônica de Valéria del Cueto

Vem aí

Texto e foto de Valéria del Cueto

Jurei que não passaria de hoje a primeira crônica de 2026.

Apesar de distante adotei o modus operandi de Cuiabá e outras praças. O de veranear.

Me larguei com a condição de, nesse período, manter uma alimentação saudável. O eterno projeto de ano novo em plena execução!

Isso não quer dizer que nesse espaço de tempo tenha conseguido me desligar dos acontecimentos que não param de se suceder sem interrupções para um descanso ou pausas para reflexões mais profundas.

Haja nuvem e HDs para registrar as mudanças inesperadas que trazem reflexos imprevisíveis à vida em todo o planeta.

Falando em planeta fico pensando no trabalho que Pluct Plact, o extraterrestre, terá para colocar em dia as notícias do cotidiano do lado de fora da cela em que se encontra enclausurada voluntariamente a cronista com quem ele se corresponde.

Tudo que aconteceu nos últimos dias!

Sugiro que comece por uma notícia boa. A liberação pela ANVISA dos testes clínicos com o medicamento polilaminina no tratamento de lesão da medula espinhal. Uma inovação desenvolvida por pesquisadores da UFRJ.

Lembrando que foi na Escola de Comunicação da instituição na Praia Vermelha que nossa reclusa preferida iniciou sua insípida vida acadêmica.

E que “o outro lado do túnel” (sempre mencionado por Pluct Plact para indicar o local de recolhimento da amiga e correspondente das suas cartas enviadas pelo raio de luar que banha a cela) fica bem ali, entre a UFRJ, o Botafogo e o antigo Canecão que, prometem, ressurgirá em breve.

Viajei pensando no viajante da galáxia e sua relação com a cronista pra dizer que, assim como ele, só me cabe observar e, se possível, acompanhar a pantomima universal.

Confesso que não vou poluir este texto com uma narração precisa das efemérides porque nesse momento minhas atenções são outras.

Estão embaladas pelos sons da cascata desviada do riozinho e, dependendo dos horários, da cantoria dos passarinhos que bordejam em busca de frutas e flores. As frutas da estação são da goiabeira e das jabuticabeiras. As pitangas ainda estão floridas ou seus frutinhos muito verdes para o banquete da passarinhada.

Nesse calorão a sinfonia acontece na manhãzinha ou quando o sol se põe.

Pouco depois das cigarras começarem a ciciar anunciando que o bom tempo continua pelos próximos dias. Até a aguardada chegada de mais uma frente fria maluca, como a que tivemos nos primeiros dias do ano. Quem não se rende a um refresco?

Meu olhar é desviado para o filhotinho de teiu. Novinho, ele ainda não aprendeu que, por uma questão de sobrevivência, deve se esconder dos humanos com o mesmo afinco que os imigrantes perseguidos pelo ICE, a polícia agora assassina dos EUA.

Não que vá fazer alguma coisa contra ele, um pouco maior que as várias lagartixas que habitam (e matam mosquitos) no pedaço. Pra elas não há limites de acesso.

Ao contrário do gato da vizinha que bate ponto na microvaranda 2X2, conhecida como latifúndio, que dá acesso à casa do moinho. Volta e meia tenta me dar um vareio e, distraidamente, adentrar a sala pela janela.

Enfim, antes do meu mundo começar a andar (e olha que ele vai desembalar na corrida com a proximidade do carnaval), observo e gravo na memória as pequenas nuances do entorno.  

Ao som do rio e do vento no bambuzal folhas passeiam pelo ar caindo na superfície espelhada da água.



Já observou o caminho das formigas, o voo das libélulas, o nascer e desabrochar de uma flor ou de cogumelinhos no gramado?

Sentiu o prazer de ver brotar e se desenvolver uma semente que você plantou num vasinho na varanda?

Não dá like, nem engajamento. Não viraliza, mas proporciona a um ser humano sensível uma indescritível e sutil sensação de prazer.

Como ser testemunha de um pôr do sol cinematográfico imponderável.

Sim, a vida ultimamente tem sido mais surpreendente que qualquer ficção. Especialmente para o mal.

Mas quando não temos a opção de mudar essa realidade contundente, resta a opção de voltarmos nossos olhos às coisas miúdas que fazem valer a pena.

Até que o marinheiro novamente avise que vem aí bom tempo...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Não sei onde enquadrar” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com



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14 de jan. de 2026

Mangueira mini desfile 2025 Dia Nacional do Samba carnaval 2026

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Mangueira minidesfile 2025 Dia Nacional do Samba 

A Mangueira fechou a noite de sexta-feira, primeiro dia de minidesfiles do Dia Nacional do Samba de 2025, apresentando elementos de seu enredo para o carnaval 2026, “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju - O Guardião da Amazônia Negra”, do carnavalesco Sidnei França.

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Os vídeos do acervo carnevalerio.com da Estação Primeira de Mangueira no mini desfile do Dia Nacional do Samba 2025.

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Agradecimentos aos Mestres Rodrigo Explosão e Taranta Neto, aos incríveis ritmistas da “Tem que respeitar meu Tamborim”, aos componentes da Mangueira, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

Ensaio fotográfico e vídeos publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved @no_rumo do Sem Fim…

@delcueto para CarnevaleRio.com

Faça sua inscrição nos canais del Cueto no Youtube e no TikTok – desde 2008 registrando momentos do carnaval carioca.

Aqui tem mais pra você:
Já seguiu “No rumo do Sem Fim”?
Experimenta!
Você encontrará o conteúdo produzido por Valéria del Cueto e também links para objetos e desejos produzidos no @delcueto.studio
Ideias e designs disponíveis nas plataformas:
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8 de jan. de 2026

Paraíso do Tuiuti no mini desfile do Dia Nacional do Samba 2025

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(C)2025 Valeria del Cueto, all rights reserved. Protegido pela lei 9610/1998.

O Paraíso do Tuiuti trouxe para o mini desfile do Dia Nacional do Samba de 2025 elementos apresentados pelos segmentos da escola de samba de seu enredo para o carnaval 2026, "Lonã Ifá Lukumí", do carnavalesco Jack Vasconcelos.

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Agradecimentos ao Presidente Thor, Renatinho Marins, à Super Som, Mestre Marcão, Markinhos, aos componentes do Paraíso do Tuiuti, à Liesa, Rio Carnaval e Riotur.

Imagens de Valéria del Cueto / acervo carnevalerio.com

Ensaio fotográfico e vídeos publicados no canal @del Cueto, no Youtube de (C)2025 Valéria del Cueto, all rights reserved @no_rumo do Sem Fim…

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LINK dos vídeos do acervo carnevalerio.com do Paraíso do Tuiuti no mini desfile do Dia Nacional do Samba, 2025.

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22 de dez. de 2025

Nunca igual no planeta Carnaval, por Valéria del Cueto

Nunca igual no planeta carnaval

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Já troquei três vezes de lugar tentando abrir o caderninho para escrever o último texto de 2025. No jardim, na rede e no gramado busco um ambiente ideal para a escrevinhação.

Sem sol, com chuva e frio, preciso reconfigurar os gatilhos que utilizo para encontrar os traços da inspiração quase natalina em meio a conflitos e quizilas locais e internacionais que desviam a atenção e exigem reflexão.

Pra não cair no velho e recorrente tema das retrospectivas, prefiro olhar pra frente, mirar no futuro sem apelar às previsões.

E, vamos concordar, querido leitor, o futuro é logo ali.

Adivinha onde? No carnaval!

Nesse quesito estou em casa... voltei do Centro-Oeste e caí no mini desfile do Dia Nacional do Samba no início de dezembro.

Três dias na pista da Cidade do Samba com direito a prévia, em pequena escala, do que serão as apresentações no carnaval da Passarela sem os tradicionais carros de som. Os que eram o coração do som das escolas na pista da Sapucaí. Agora, tudo será digital e sem fios!

As noites foram recheadas por teasers do que as escolas apresentarão em seus enredos no desfile de 2026.


Como sempre, o carnaval na Sapucaí não será igual ao do ano que passou.

Depois da nova iluminação cenográfica, consolidada no último carnaval, o incremento no sistema de som digital responde a uma demanda crítica e antiga num setor essencial para o espetáculo.

Os testes em larga escala no sambódromo serão nos ensaios técnicos programados para os dois finais de semana que antecedem o desfile oficial, que acontecerá no meio de fevereiro.

Pra quem ainda não abriu o calendário 2026, os desfiles do Grupo Especial do Carnaval Carioca acontecerão de domingo a terça-feira nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro. Como esse ano, serão 4 escolas por noite.

Mas a agitação começa antes e não inclui apenas o povo do samba, que produz o espetáculo.

Dia 20 de janeiro, anote aí, uma terça-feira, é feriado no Rio de Janeiro, dia de São Sebastião, o padroeiro da Cidade Maravilhosa. Também será a abertura do projeto Rio Capital do Carnaval.

Os tambores vão batucar num novo espaço das escolas de samba, na ativação (a palavra está na moda) do Carnaval Fan Fest nas areias da praia de Copacabana, altura do Posto 3, na Rua República do Peru.

Durante um mês, a programação trará a festa carioca até a praia mais famosa do planeta, com apresentações das escolas, shows que promoverão encontros entre sambistas e astros da MPB e oficinas às sextas, sábados e domingos.

Os telões do espaço também transmitirão os ensaios técnicos e, claro, os desfiles carnavalescos nos dias da folia.


A festa começa com o desafio de juntar 1.200 ritmistas no espaço para uma performance candidata ao Guinness Book.

Será o registro da maior bateria do mundo com a participação de mestres das baterias e personalidades das agremiações.

Com a iniciativa do projeto Rio Capital do Carnaval a Liesa - Liga Independente das Escolas de Samba expande sua atuação geográfica do Sambódromo e da Cidade do Samba e ocupa o coração turístico da cidade no auge da temporada de verão.

Toda a programação, que se estende até o sábado das Campeãs na semana seguinte ao carnaval, será gratuita e contará com shows que promovem grandes encontros musicais, como o de Neguinho da Beija-flor e Belo, Pretinho da Serrinha e Marcelo D2 e Jorge Aragão e Gilsons e será anunciada nos próximos dias.

“Inovador, inclusivo e 100% carioca”, segundo define o presidente de Liesa, Gabriel David, o conceito “Sinta o carnaval” do projeto pretende trazer ao público a experiência das etapas de produção dos desfiles por meio das oficinas carnavalescas e promete mais: um cortejo carnavalesco ao pôr do sol de Copacabana. “Estamos quebrando as barreiras entre o público e a festa”, comemora.

Haja coração, prepare as pernas, capriche na resistência! Amplie o fôlego, folião, pois sambar na areia não é pra qualquer um e serão muitas emoções...

*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “É Carnaval” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com



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9 de dez. de 2025

Bordadeiras da Chapada, 15 anos de ponteio e memória


Clique no LINK para acessar o album Bordadeiras da Chapada dos Guimarães no Flickr

Bordadeiras da Chapada, 15 anos de ponteio e memória

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Com quantos fios se faz uma história? Quantas mãos são necessárias para se bordar referências e memórias? Por quanto tempo se preserva um lugar por meio de delicadas peças artesanais espalhadas mundo a fora?

Há quinze anos as Bordadeiras de Chapada dos Guimarães registram traços originais riscados pela arte educadora Louriza Boabaid. São imagens, mensagens e costumes ponteados em linhas tramadas nos tecidos trabalhados por mulheres dedicadas a um ofício artesanal, terapêutico e complementar de geração de renda no coração do Centro-Oeste brasileiro.

O início do projeto foi num curso ministrado pelas Bordadeiras do Grupo Matizes Dumont/MG, no município mato-grossense distante 60 quilômetros da capital do estado, Cuiabá.

Um dos princípios que consolidaram o coletivo foi a temática que lhe deu características próprias e projeção com a escolha dos temas bordados em peças originais que valorizam a terra, seus costumes e a natureza exuberante do cerrado.

Toalhas, vestidos, aventais, almofadas, etiquetas de bagagem, bolsas... Não há limites para a aplicação dos trabalhos manuais chapadenses à venda para pronta entrega na sede das Bordadeiras ou por encomenda, no caso de produtos exclusivos.

Enquanto houver frutos, flores, pássaros, paisagens e muita poesia elas espalharão suas mensagens e a beleza de seus pontos. Simples a princípio, mas cada vez mais elaborados com o desenrolar dos trabalhos que se iniciam nos cursos oferecidos no espaço localizado quase na entrada da Rua Coberta, no centro de uma das cidades turísticas mais charmosas de Mato Grosso.

Ambiente acolhedor para expor os trabalhos
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Aproximadamente 500 alunas passaram pelas aulas ministradas pelas bordadeiras mais antigas coordenadas por Emília e administradas pelo coletivo originário das artesãs.

Entre risadas e conversas animadas os encontros servem de aprendizado e, também, para desopilar os problemas cotidianos das participantes das atividades numa terapia informal.

As tensões são aliviadas em aulas de dança que ajudam a relaxar o corpo e melhorar a postura das alunas. Sabia que as linhas devem ser no máximo do tamanho do antebraço para não prejudicar a ergonometria e causar lesões?

As reuniões acontecem nos dias em que a sede das Bordadeiras da Chapada dos Guimarães, na Rua Santo Antônio, 106, está aberta ao público, às quartas, sextas e sábados, das 14:30 às 17h.

Entre quitutes levados para o lanche, um cafezinho ou um suco, as bordadeiras dividem as tarefas, os riscados e as linhas de cada imagem da memória da baixada e do entorno de Cuiabá a ser bordada.

Os trabalhos retratam a Igreja de Santana (logo do coletivo), as cachoeiras e paisagens da Chapada, ditos cuiabanos, trechos de poesias (as de Ivens Scaff fazem o maior sucesso), a flora e a fauna do cerrado, assim como o resgate do folclore local como o Troá, figura mítica regional.

Do folclore local, o Troá, guardião das florestas
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Esse imaginário vagarosamente se espalha pelo mundo por meio das vendas dos produtos, participações em eventos de moda, exposições, programas de TVs nacionais, estrangeiras e redes sociais.

Visitar a sede das bordadeiras é uma viagem pelas tradições locais, um mergulho nos signos e ícones que representam a cultura popular de um Mato Grosso profundo que precisa ser preservado e divulgado.

A sede das Bordadeiras, no antigo Hospital Santo Antônio

Acha pouco? As meninas (e meninos como Beto, conhecido pela destreza em pontear as letras das frases e mensagens bordadas) querem mais! Também estão abertas as aulas de pintura em tecido.

A mais nova atividade é o curso para turistas de confecção de bonecas africanas Abayomis, feitas com pedaços de tecidos. Tradição trazida nos navios negreiros. A visita é agendada por uma agência de viagem e é mais uma fonte de renda para a conservação do espaço e a remuneração das bordadeiras.

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Para quem chega na Chapada dos Guimarães, a visita a sede das Bordadeiras é uma porta aberta para [re]conhecer um pouco do que Mato Grosso (ainda) tem de melhor representado pelo trabalhado feito por mãos que expressam as belezas e a sabedoria do cerrado mato-grossense.

O mapa do tesouro cultural das Bordadeiras: Chapada dos Guimarães
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*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM... delcueto.wordpress.com



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