Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA

31 de jul de 2015

Papa Francisco, por Gabriel Novis Neves

Papa Francisco 
Em sua peregrinação pelo Equador, Bolívia e Paraguai o Papa Francisco mais uma vez surpreendeu o mundo ao discursar no “Encontro dos Movimentos Sociais”. 
Com a sua franqueza habitual, sabedoria e muita diplomacia, deixou o seu recado em uma importante reunião de líderes e dirigentes sociais latino-americanos.  
A impressionante ressonância mundial foi imediata. Vozes discordantes apareceram advertindo que suas palavras não deviam ser levadas a sério. 
Tudo isso porque o Papa disse que “o capitalismo é um sistema esgotado, que já não se sustenta, que os ajustes sempre são feitos à custa dos pobres, que não existe tal coisa como o derrame da riqueza das taças dos ricos, que destrói a casa do comum e condena a Mãe Terra”. 
O Papa revolucionário também condenou os monopólios como uma grande desgraça, disse que o capital é o “estrume do dinheiro”, que se deve cuidar do futuro da Pátria Grande e estar em guarda frente às novas formas de colonialismo. 
Com suas palavras, Francisco abriu um espaço enorme para avançar no sentido de neutralizar a ideologia dominante, que difunde que o capitalismo é a única forma sensata – e possível – de organização econômica e social. 
O histórico discurso do Papa na Bolívia instalou no imaginário público a ideia de que “o capitalismo é um sistema desumano, injusto, predatório, que deve ser superado mediante uma mudança estrutural”. 
Graças às suas palavras estamos em melhores condições para vencer a batalha de ideias de forma a convencer todas as classes oprimidas, as principais vítimas do sistema, de que é preciso acabar com o capitalismo, antes que esse infame sistema acabe com a humanidade e com o planeta, no dizer do sociólogo argentino Atílio Boron. 
O Papa Francisco tem como prioridade a defesa dos três T: Terra, Teto e Trabalho. 
Com relação ao problema grego, ele alerta ao mundo para as novas formas de neocolonialismo que recrudescem no mundo. 
Mais do que o representante máximo da religião católica, Francisco vem se tornando um dos maiores símbolos, não de religião, mas de algo muito mais difícil de ser praticada, a religiosidade.

30 de jul de 2015

Nostalgia, por Gabriel Novis Neves

Nostalgia
Há alguns dias, no Rio de Janeiro, voltando do teatro, onde assisti a uma peça de forte apelo especulativo existencial, fui arrebatado pela saudade do passado.
Ainda embalado pelo clima  de grande prazer, em que todo o sistema emocional, assim como todo corpo, recebeu  doses generosas de serotonina e de endorfina,  me senti estonteado diante de uma noite cálida e estrelada.
Após um jantar que  aguçou todos os meus sentidos, a volta para casa, sempre beirando as praias cariocas deslumbrantes, fui tomado  por uma imensa nostalgia ao lembrar daquele lugar mágico em que eu vivi durante doze anos da minha juventude.
Em nada se assemelhava à cidade que pulsava dia e noite e que me fazia vibrar.
Figuras típicas das noites cariocas, tais como, vendedores de flores, boêmios em seus bares famosos, pequenos redutos de encontro  de artistas e poetas, boates  de fracas luzes  em que pianos discretos embalavam  casais de namorados num abraço sem fim, socialites  famosas  marcando presença  em restaurantes  da moda, enfim, tudo isso é coisa do passado.
Os altos custos dos alugueis e manutenção dos espaços de entretenimento, aliados à violência crescente nos últimos vinte anos, afugentaram os empresários da noite e ela foi se esvaindo ou migrando para áreas da periferia de mais baixo poder aquisitivo.
Surgiram os bailes funk, coqueluche da garotada dessas regiões.
Ao contrário, na zona sul, encontro ruas desertas, mesmos as principais com uns poucos carros e uns poucos corajosos que se arvoram a desafiá-las, já que a violência atingiu níveis insuportáveis.
Mesmo assim, assola-me um desejo abrupto de sair a esmo passeando de carro, o que há vinte anos era uma rotina.
Desestimulado por meus acompanhantes, todos cariocas, logo me apercebo que o mundo mudou e que a hora é de voltar para o meu casulo  onde, certamente, me sentirei mais protegido.
Afinal, para que servem as grandes e belas cidades  se nem mais conseguem acolher os seus visitantes e moradores?
Cidade como o Rio de Janeiro que, tal como Nova York, era tida como a cidade que nunca dormia, não mais dispõe  de ambientes para bebericar, ouvir um bom piano, dançar  ao som de bom cantor/a que tentava a fama  , enfim, espaços em que a noite parecia não ter fim.
Triste constatar que tudo isso acabou e o que vemos é uma cidade fria, distante de sua população antes tão alegre e divertida e, agora, sufocada pelo medo e pela apatia. 

29 de jul de 2015

estresse, por Gabriel Novis Neves

Estresse 
A saúde de uma pessoa é o resultado do perfeito equilíbrio entre a sua parte física e a psíquica, componentes que, trabalhando em conjunto, compõem a estrutura humana. 
Quando, por múltiplos fatores, isso é rompido, temos o aparecimento das doenças - que podem, de emocionais inicialmente, ser transformadas em sérias patologias orgânicas. 
O estresse excessivo constante do mundo moderno é uma das grandes causas de inúmeras doenças, cada vez mais presentes em nossas vidas. 
Direcionados por todas as propagandas alimentares e para práticas de exercícios físicos, aliás, todas visando obter, fundamentalmente, lucros comerciais, cada vez aumentamos mais os nossos níveis de estresse, seja através do crescimento absurdo da violência, seja através do aumento da competitividade, em que o ser humano se torna mais valorizado pelo que ele tem, e não, pelo que ele é como pessoa. 
O ócio criativo, fundamental para o exercício da criatividade, foi abolido pelas leis do mercado. O homem máquina deve funcionar até o final de seus dias, quando então será, definitivamente, descartado, não só pela sociedade, mas também por seus familiares. 
Por todos esses fatores, o que notamos no mundo é uma explosão assustadora da ansiedade e da depressão. 
Com a evolução do sofrimento produzido por alterações no nosso psiquismo, descarregamos esse desconforto em um órgão, chamado de choque. 
Os livros médicos relatam com perfeição, por exemplo, lesões de mucosa gástrica que até podem perfurar.  É a conhecida úlcera por estresse. Nos casos mais brandos, os consultórios dos gastroenterologistas estão lotados de pacientes com “gastrite nervosa”. 
Esse desequilíbrio leva os pacientes a se tornarem hipocondríacos, consumindo excesso de medicamentos, agredindo mais a impactada mucosa gástrica, vítima do excesso de produção do ácido clorídrico e do suco gástrico. 
Muitos diagnósticos de gastrite medicamentosa têm também essa origem, agravada por hábitos alimentares errados e a ingestão desmesurada de bebida alcoólica. 
Nesse mecanismo posso incluir certas hipertensões arteriais, diabetes, bronquite asmática e doenças da pele, entre outras. 
São também rotuladas de doenças decorrentes desse estresse prolongado para o qual o nosso organismo não foi programado.
Existe entre os populares um clichê dizendo: “para fugir da loucura o melhor é escolher uma doença orgânica”. 

O mesmo se aplica em sentido contrário. Claro que essa afirmação não tem credibilidade científica e lembra uma velha teoria do Freud sobre a evolução da personalidade, hoje totalmente abandonada e criticada. 
Era a teoria do Épsilon, que na adolescência aparecia em personalidades mal estruturadas.  
Na época do pai da psicanálise, o homossexualismo era considerado uma doença e quem fazia essa opção era sadio organicamente, mas com problemas psíquicos. 
A verdade é que ainda não conhecemos os segredos do cérebro humano. 
Até recentemente se acreditava que o cérebro era o único órgão importante do nosso corpo, sem vasos linfáticos e por isso, separado do sistema imunológico. 
As imagens dos livros de anatomia geralmente mostram a formação de nódulos e vasos linfáticos como uma complexa tela em todo o corpo com relação ao cérebro. 
Pesquisadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, descobriram um sistema de vasos que liga o sistema nervoso central aos nódulos linfáticos. 
Atualmente sabemos que o cérebro está diretamente ligado ao sistema imunológico. 
Isso vem provar que as agressões ao nosso emocional fragilizam todas as nossas defesas imunológicas. 
Alguns chegam até a afirmar, baseados em estatísticas, que o câncer é mais frequente em pessoas que sofreram forte impacto emocional, e por períodos prolongados. 
Fica claro que quem comanda nossa saúde física e mental é o ainda desconhecido cérebro. 
Cuidemos, pois, das nossas emoções, para evitarmos as doenças orgânicas e a loucura.

28 de jul de 2015

BNDES, por Gabriel Novis Neves

BNDES
O mês de agosto é temido por todos os supersticiosos, especialmente os políticos.
Foi em um já distante agosto de 1954 que o presidente Getúlio Vargas, não suportando a traição do seu pessoal de copa e mesa, na solidão dos seus aposentos do Palácio do Catete, com um certeiro tiro no coração, entrava para a história.
Faltando alguns dias para o mês fatídico, é grande a crise entre o Congresso Nacional e o Executivo.
Tudo se agravou quando policiais federais, com mandados de busca e apreensão assinados por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), invadiram residências e escritórios de, entre outros políticos, três senadores e um deputado federal.
Afinal, ameaçar castas é inédito, e muito menos aceitável pelos que se consideram acima do bem e do mal.
Essa ação foi decorrente de informações colhidas a partir da Operação Lava Jato.
Conceituados e independentes analistas políticos diagnosticam que a investigação no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é muito mais grave que a da Lava Jato.
Ficaremos sabendo sobre o destino de bilhões de dólares que o Brasil talvez tenha desviado da merenda escolar, creches, medicamentos básicos, escolas para o ensino fundamental, postos de saúde, pronto atendimentos, obras de infraestrutura e inovações tecnológicas, para doar aos seus amigos bolivarianos e representantes de países de ditaduras africanas.
Claro que os generosos doadores aos povos oprimidos receberam polpudas propinas de consultorias e conferências por este assalto aos nossos cofres públicos!
Do chefe, ao capitão do grupo do poder de então, todos estão envolvidos neste megaescândalo, tanto tempo postergado para que não se tornasse de domínio público.
Com a briga do Presidente da Câmara dos Deputados, que se julga perseguido com as investigações que lhe são imputadas, este resolveu, em represália, implantar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e, de contrapartida, outra para investigar supostas irregularidades nos Fundos de Pensão.
É ou não para se temer o mês de agosto? 
O chumbo é grosso e o telhado das nossas instituições de vidro.
Manifestações de rua estão programadas para dar o tom da nossa indignação.
É o agosto...

27 de jul de 2015

Para quem tem pressa, por Gabriel Novis Neves


Para quem tem pressa 

Li recentemente um livro da escritora Emma Marriott - “A história do mundo para quem tem pressa”. 
Em apenas duzentas páginas ela conseguiu resumir, brilhantemente, mais de cinco mil anos de história. Discorreu sobre os acontecimentos mais importantes da humanidade. 
Desde as mais antigas civilizações (Suméria, Egito e Babilônia, por exemplo) até o final da Segunda Guerra Mundial, tudo é abordado com elegância e precisão. 
Este livro permite que o leitor compreenda porque o mundo moderno mudou tão pouco em termos de comportamento humano, apesar do altíssimo desenvolvimento tecnológico. 
Fiz a primeira leitura em diagonal e agora estou saboreando com calma as nossas origens. 
A conclusão a que cheguei é que os ensinamentos que nos foram repassados não conferem com a verdade científica. 
Não irei comentar o surgimento das religiões por motivos óbvios. Causaria muita polêmica, e quem se interessar pelo assunto consulte o livro citado. 
Ficarei com breves linhas da história das conquistas do poder através dos séculos. 
Nada mudou desde que o homem é homem. Guerras, crueldades, maus-tratos à mulher, velhos e crianças foi o alicerce da nossa civilização. 
O homem nasceu para conquistar territórios e poder e, nesta ânsia de acúmulo de bens materiais, milhões de inocentes foram sacrificados. 
Recentemente o mundo ficou perplexo ao assistir em tempo real pela televisão a derrubada das Torres Gêmeas em Nova York, a destruição do Iraque - berço da civilização asiática - e o fim do Afeganistão, com milhares de vítimas inocentes. 
Tudo pelo poder propiciado pelo ouro negro e crenças religiosas. 
A Palestina, séculos após a crucificação de Jesus, foi totalmente arrasada, dificultando pesquisas sobre a existência do Cristo Jesus, filho de Deus. 
Voltando aos nossos dias. Todas as barbáries cometidas pelos povos antigos, como as loucuras de Nero incendiando Roma ou matando os cristãos, continuam acontecendo, mas, com novas maquiagens. 
No México, na época pré-colombiana, convocavam-se voluntários para serem sacrificados em homenagem aos deuses. 
Hoje, quantos são mortos por motivos religiosos? 
Se o mundo evoluiu em conhecimento, qualidade de vida e tecnologia, continuamos a praticar as mesmas barbáries do início da nossa civilização de forma bem mais sofisticada. 
Como se mata hoje em dia por nada! 
O ser humano é realmente inviável!

26 de jul de 2015

A ponte que partiu, por Valéria del Cueto


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A ponte que partiu

Texto e foto de Valéria del Cueto
Não tem como manter a esportiva. Nem mesmo em tempo de Jogos Pan-Americanos de Toronto, comemorando as medalhas brasileiras e acompanhando as histórias de superação e os esforços dos competidores.
É por lá que ficamos sabendo que está nas Forças Armadas o maior celeiro de atletas do país. 123 deles,  um quinto dos esportistas brasileiros que estão no Canadá, fazem parte do Programa de Atletas de Alto Rendimento dos Ministérios da Defesa e do Esporte.
Também vem de lá a informação das péssimas condições de treinamento para os atletas cariocas sem equipamentos adequados para se prepararem para serem os anfitriões dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Também, querem o que do nosso Eduardo particular, o Paes?
*clique AQUI  para prosseguir a leitura
E3- ILUSTRADO - SABADO 25-07-2015
Edição Enock Cavalcanti
Diagramação Nei Ferraz Melo

Desabafo de um cão livre, por Gabriel Novis Neves


Desabafo de um cão livre

Não sei se fui abandonado ou se me perdi do meu dono um dia desses nas areias do Arpoador.
Estava bem cuidado e não apresentava sinais de maus tratos nem de traumas emocionais. 
Encontrado quando perambulava desarvoradamente pela praia, fui levado por um simpático dono de quiosque, logo atraído pela minha beleza de mestiço grifado de Weimaraner com alguma tentadora afrodescendente local.
Minha estirpe alemã, considerada uma das mais inteligentes no mundo canino, mistura meus olhos verdes com um altíssimo QI. Isso explica porque fomos tão usados na Segunda Guerra Mundial.
O ajudante desse pequeno empresário, um morador de rua, o João, hippie dos anos 60 e muito benquisto naquelas paragens, logo se apaixonou por mim, tratando-me como seu melhor amigo.
Dormimos aconchegados na Kombi que abastece o quiosque e vivemos da simpatia dos frequentadores do Posto 9 que nos abastecem com alimentação farta e muito carinho.
Eu, por minha vez, logo virei a atração de todos aqueles que frequentam esse pedaço de paraíso carioca, sejam eles, jogadores de vôlei, crianças, pessoas das mais diversas faixas etárias e sociais, enfim, os amantes da natureza.
Há alguns dias, uma simpática senhora, também preocupada com o meu bem estar, levou-me a um posto de vacinação antirrábica e retornei quites com a minha carteirinha de saúde.
Até namorada e muitos amiguinhos já arranjaram para mim.
Rapidamente me afeiçoei a todos que me acariciam e, dessa forma, tornei-me o animal mais charmoso da praia!
E olha que aquele reduto é conhecido por ser frequentado pelos corpos mais esculturais de Ipanema.
Minhas amigas compraram para mim uma bela coleira e uma corrente, permitindo que eu possa fazer grandes passeios sem risco de atropelamento.
Uma delas, uma bela jogadora de vôlei de praia, a Milla, esbelta loura de 1.72 m de puro charme, é a maior de todas.
Já fui até conhecer sua mãe que, tal como a filha, ficou encantada comigo!
Enfim, com esta vida de liberdade e amor devo estar despertando inveja em muitos humanos.

25 de jul de 2015

Imitar, por Gabriel Novis Neves

Imitar 
Um antigo ditado popular que ouvi muito na minha infância era responder com um “não sei, não vi, não ouvi, não levo ninguém para a cadeia”. 
Quando algum segredo era revelado a uma pessoa de extrema confiança, logo os curiosos e bisbilhoteiros da vida alheia procuravam o detentor da confissão da verdade para saber detalhes sobre o acontecido. 
A resposta era invariavelmente aquelas palavras que se consagraram em ditado popular. 
Durante muito tempo isso parecia perdido no tempo. Para minha surpresa não é que ressurgiu  com toda força nos tempos atuais? 
Começou no escândalo do “mensalão” e agora no descalabro do “lava-jato”. 
Milhões de reais foram desviados dos cofres públicos em uma complexa operação envolvendo agentes públicos, políticos e empresários de firmas de grande porte. 
Quando descoberta a falcatrua, ninguém viu, ouviu dizer e  nada sabe.  
Os acusados juram de pés juntos inocência. O certo é que o dinheiro sumiu das outrora respeitadas estatais e as mesmas entraram em estado de alerta máximo para não fecharem as suas portas. 
Empresários poderosos presos aprenderam a lição de não esconder a verdade para a justiça, com as penas impostas aos operadores do mensalão. 
Resolveram, então, pedir a delação premiada, que consiste em informar com precisão todos os meandros utilizados para a ação criminosa. 
Se corretos, ajudando a justiça a desvendar as fraudes, terão suas condenações suavizadas. 
Tudo que é confessado à Justiça Federal em segredo, de repente, como num passe de mágica, é divulgado pela grande imprensa. São relatos impressionantes sobre o profissionalismo na arte de roubar. 
São executadas manobras contábeis, bancárias e jurídicas complicadíssimas para esconder o produto do assalto aos cofres públicos, transformando dinheiro podre em bom. É a famosa lavagem, tão em moda atualmente. 
Como o crime nunca é perfeito, aliado ao uso de tecnologias de ponta pelos investigadores, foi possível desvendar  todo o mistério dos crimes contra o Tesouro Nacional que abalaram e continuam abalando este país. 
Agora, a luta é jurídica para encerrar o rumoroso caso apelidado de “lava-jato”, corrupção jamais vista em nossa nação. 
Mais uma vez é o presente imitando com perfeição o passado no seu ditado popular.

24 de jul de 2015

Sabedoria, por Gabriel Novis Neves

Sabedoria 
Certa ocasião, perguntei a um colega que não encontrava há muitos anos, se ele ainda atendia no consultório. 
Respondeu-me que, apesar de pacientes não lhe faltarem, notou que depois de realizados a anamnese e o exame físico, no momento de prescrever a medicação, por alguns intermináveis segundos a memória se ausentava e não se lembrava do nome do medicamento. 
Isso lhe causava imenso desconforto diante do paciente. A repetição desse episódio fez com que ele encerrasse as suas atividades médicas no consultório. 
Atualmente, leva uma vida tranquila, normal, sem angústias, usufruindo de tudo que plantou por mais de meio século em sua atividade hipocratiana. 
Surgiu então o escritor, que acaba de publicar, com sucesso, o seu segundo livro de assuntos não médicos. 
A vida nos coloca frente a variadas situações. Quando enfrentadas com naturalidade e sabedoria, com certeza, nos levam a caminhos inimagináveis.  
Daquele lapso de memória comum aos idosos, nasceu um escritor premiado pela Academia Brasileira de Escritores Médicos! 
Quando de um limão fazemos uma limonada, a vida torna-se mais suave e bela, levando-nos a rumos nunca antes sonhados. 
As dificuldades existem para serem ultrapassadas, de uma maneira ou de outra, ao sabor da nossa intuição. 
Temos tantas possibilidades de substituições, algumas vezes surpreendentes até para nós mesmos. 
A história da humanidade está repleta de exemplos de superação que nos emocionam. 
Zeca Pagodinho, o filósofo do samba, acertou em cheio quando emoldurou a letra de um de seus maiores sucessos com a frase: “deixa a vida me levar”. 
Sem destino, muitas vezes encontramos uma grande felicidade. 
A sabedoria em entender a vida, cheia de altos e baixos, como as ondas do mar, nos deixará em nosso definitivo lugar. 
O segredo é entender que a vida não é, e nunca será, certinha, como desejam muitos perfeccionistas. 
Como escreveu Guimarães Rosa, “o importante é a travessia”. 
A vida só não pode ser banal, fútil, idiota, para quem tenta apequená-la, pois ela é grande demais para ser vivida no curto espaço de tempo em que por aqui permanecemos.

23 de jul de 2015

Cuidados paliativos, por Gabriel Novis Neves

Cuidados paliativos
Há dias assisti a uma palestra proferida pelo professor-doutor, médico, José Pedro Gonçalves, no Hospital do Câncer de Cuiabá sobre cuidados paliativos para os doentes em estado terminal.
De maneira sucinta e didática transmitiu informações sobre essa nova especialidade médica que surgiu nas últimas décadas com a intenção de alertar aos profissionais de saúde, principalmente médicos, sobre a limitação da ciência médica.
Algumas vezes podemos  oferecer curas, outras vezes alívio e, não raramente, nem isso.
O importante é que as pessoas cheguem ao final do seu ciclo vital com boa qualidade de existência e com o mínimo de sofrimento possível.
Apreendemos em criança que deveríamos sempre vencer as limitações encontradas pelo caminho.
Entretanto, com o passar do tempo, observei e aprendi a aceitar os limites que a idade nos impõe.
Não é fácil determinar o momento de parar de enfrentar os limites impostos pela vida e, ao mesmo tempo, tirarmos o melhor proveito dela.
Às vezes, o custo em desafiá-la extrapola os benefícios.
Ajudar alguém a lidar com a dificuldade de definir esse momento é um dos prêmios mais dolorosos e privilegiados na vida de uma pessoa.
Entender que a vida é curta demais, e que o lugar de cada um de nós no mundo é pequeno, parece uma tarefa simples, porém, na realidade, é uma das mais complexas encruzilhadas vivenciais - tão bem estudadas por Atul Gawande, médico americano filho de indiano.
O homem é o único ser que sabe que vai morrer, mas ignora essa dádiva. Dádiva que nos permite, entre muitas outras coisas, externar nossos últimos desejos e orientar nossa família.
Hoje já existe um entendimento mais racional sobre a nossa finitude, momento derradeiro de uma vida repleta de perseverança, aceitação dos limites e últimos desejos.
Pertencemos a uma cultura que não aprendeu a lidar com a morte e, portanto, fingimos que ela não existe.
Somente nos últimos anos começaram a aparecer os especialistas em cuidados paliativos, que são os verdadeiros zeladores da maneira mais suave de encarar os momentos finais de nossa bela viagem pelo planeta Terra.
Assim como a vida, o poder do médico também é finito, e isso tem de ser entendido de uma maneira tranquila.