Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA

14 de mai de 2019

Como outra qualquer, Flotropi. Fábula fabulosa de Valéria del Cueto

Como outra qualquer, Flotropi

Texto e foto  de Valéria del Cueto

A bicharada não está acreditando na performance do novo boss do mundo animal da Flotropi.
É por que se a fauna botou no governo um mito que pensa que seu mandato se expande por outras gerações de sua estirpe, a flora e os representantes do mundo mineral já mandaram avisar que não têm diálogo com quem já disse que quer “explorar” a natureza. Que a bicharada se responsabilize por suas escolhas, mas não venham dar pitaco no quintal alheio.

E não foi sem tempo: o mito já decretou o arrasa quarteirão dos recursos naturais. Tudo a troco de uns caraminguás.

Verdade seja dita, muito foram contra a ascensão da prole unida, mas não souberam se fazer ouvir. Outros, lavaram as mãos, asas, patas e guelras. Deu no que está dado.

Um desastre em proporções quase que bíblicas. O advento de mais um sacode florestal. Essa bicharada, cá entre nós, não acerta uma.

A coisa anda séria lá pros lados da clareira. Tem pena, couro, escama e pele sobrando pra todo lado. Nas redes sociais os papagaios, caturrita e afins estão a ponto de cair dos galhos, de tão cansados do leva e traz.

O causo é que um dos mitos filho assumiu o papel e o (des)controle das comunicações reais trazendo insegurança, desavenças e ampliando o destempero que que acaba provocando o desemprego para os antigos responsáveis pelo setor e a certeza que agora não é tudo nem nada, restou apenas uma grande confusão.

O que, obviamente, levou ao maior índice de inconfiabilidade já registrado na comunidade da floresta. Quando abriram as cortinas do universo, nem a lua conseguiu cantar em verso sua história astral.

Não há espaço para premonições, profecias nem poesia. Tudo é credo, cruz e muitas vezes sobra até pra ela, a Ave Maria. Imagina o que passa na cabeça de todos os santos?
Resumindo, não há mais alegria.

É tempo de medo, delação e preconceito no reino animal. Tipo cobra comendo cobra.
É um tal de chamar urubu de meu louro, num período em que o me engana que eu gosto está valendo ouro.

Não é necessário dizer que esse espirito de porco generalizado que se espalha tão estridente e insuportável como o canto da araponga ultrapassou as fronteiras anunciando medidas radicais e inconsequentes do governante de plantão.

No seu entorno, diga-se de passagem, só a fina flor. As gralhas gritam, as hienas, entre risadas, afagam, dando o bote. As raposas seguem rodeando e fazendo de conta que quem manda é o rei, enquanto desmantelam a estrutura florestal.

Não está sobrando ninho sobre os galhos, toca nas árvores, no mato ou sobre a terra. Mas tem animal achando bom.

Ou melhor. Tinha. Para gáudio e satisfação dos caçadores, apesar de proibido nas leis do reino, o mandatário mor liberou as armas, criando um desequilíbrio de forças entre as espécies. Não satisfeito, reduziu as verbas para a educação florestal.

Para finalizar, enquanto seu guru cospe impropérios contra os militares do exército real, o chefão avisa que mandará para a instância superior judiciário florestal seu dobermann da segurança e contenção que anda um pouco chateado com a falta de atenção com seus planos contra a corrupção (ora pois) e segurança.

Isso tudo em uma semana como qualquer outra aqui na pacata Flotropi...

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

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3 de mai de 2019

O que salva é a sanha, Fábula Fabulosa de Valéria del Cueto

O que salva é a sanha

Texto e foto do ensaio MOSAICO de Valéria del Cueto

Querida cronista. Embalado por um funk que manda “...todo mundo tomar no C’, filho da...” estou te passagem por uma ponta pra poder dar um alô e “firmar” que ainda ando nas quebradas tentando “dichavar” esse bagulho doido (e malhado, diga-se de passagem) que rola por aqui.

Tá me estranhando? E com razão, melhor amiga. Faz parte do processo de assimilação e osmose que desenvolvemos para adequar-nos melhor ao habitat visitado em nossas viagens interplanetárias. Entendeu bem. Ando muito cria, cheio de irmãos.

É claro que poderia escolher outras tribos para camaleonicamente me camuflar. Mas, como você, minha cronista voluntariamente exilada do outro lado do túnel, me receberia pelos raios da lua que passam pela fresta da janela de sua cela se, por exemplo, seu extraterrestre camarada se disfarçasse de parlamentar?

Acho que travestido de quem aceita um faz-me rir das emendas parlamentares para aprovar projetos por vezes inconstitucionais e sempre prejudiciais à população brasileira, agredindo colegas no plenário que denuncia a manobra, derramando lágrimas de crocodilo e jurando inocência por crimes eleitorais cometidos (comprovados e julgados por unanimidade, tal a consistência das provas), não seria bem recebido em seu isolamento.

Minha nega, deixa eu te contar. Outra possibilidade seria assumir a falsa moral da dinastia que acha que governa seu amado país.

Agir como quem interfere na política de preços de empresa estatal de economia mista, “tira do ar” campanhas publicitárias de instituições financeiras, manda os homens lavarem suas partes íntimas(!), anda de moto com chapéu de capacete, descumprindo a legislação de trânsito e num pronunciamento de um minuto e vinte segundos expõe sua incapacidade explícita de ler no teleprompter.

Não, meu dengo, não posso assimilar a persona de quem acredita que as milícias cariocas merecem aplausos e louvores, surrupia o acesso alheio do pai às redes sociais (aprendeu o truque com quem?). Claro, sendo massa de manobra contra a própria mãe numa eleição, aos 17 minutos do primeiro tempo, é fácil entender a existência de funcionários que nunca receberam seus salários, por exemplo.
Cronista, abriram a caixa de Pandora e, a cada dia, o cerco se aperta mais. Num avanço proporcional a entrada de armas de grosso calibre no país noticiadas na imprensa.

O processo de dizimação da população “inútil” se desenvolve embaixo do nariz das próprias vítimas. O emprego encolhe. A “abertura” ao exterior tende a ajudar a enfraquecer ainda mais as representantes nacionais que resistem bravamente. A deterioração da saúde passa a ser uma porta aberta para a aceleração da “limpeza”. A incompetência da segurança pública ajuda a dizimar a população mais pobre.

O que salva, por enquanto, é a sanha. A vaidade e a ambição. Desmedidas. Aliadas a falta de conhecimento e conteúdo. É um tal de diz e desdiz. Em vez de cuidar das questões nacionais e das reais dificuldades do povo a ordem é a volta da Solange. Lembra dela, aquela que era chefe da censura? Mesmo sem ter poder para tanto, a ordem é dada! Depois... desdada por que deu ruim. É a lei!

Não quero, nem mereço, esse tipo de simbiose. Já dói demais ver de perto a manipulação contra os índios, a irresponsabilidade com o meio ambiente.  “Não falem garimpo, digam MINERAÇÃO, recomenda o ministro baba ovo” com a câmera já gravando o encontro das impossibilidades para enganar trouxas.

Querida, guarde a imagem da lua que nos ilumina, lembre do apelo de Gil em Lunik 9, “Poetas seresteiros, namorados correi...”. E... corra! Corra para o que preserva sua sanidade. Esteja onde estiver.

Por aqui, sigo registrando, anotando e assimilando (por enquanto o que escolho) do que acontece nesse mundo doido. De onde não consigo sair por incapacidade propulsora da nave que piloto. Aliás, com as novas medidas implementadas por aqui, acho que o buraco de ozônio que me separa da Via Láctea, só tende a se ampliar...

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Fábulas Fabulosas”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

Studio na Colab55

1 de mai de 2019

Mosaico na escadaria, ensaio de Valéria del Cueto


Mosaico na escadaria ao lado da Sala Baden Powell, na avenida Nossa Senhora de Copacabana.
Sempre passo por ali quando almoço com del Cueto, o pai, às terças-feiras. É bem na quina da Copacabana com a Fernando Mendes, perto do Copacabana Palace.

Aquele canto meio escuro, que começa com teclas de piano e termina numa claridade ofuscante que não deixa ver o que há lá em cima fazia parte da lista de lugares que tinha curiosidade de explorar.

Até que numa dessas terças havia um movimento extra por ali. A primeira coisa que chamou minha atenção foi o desenho das teclas combinando com um pedaço da saia da moça que estava "derramada" no caminho.  Sinal de parada para fiscalizar o trabalho de composição e colagem de novas peças em outras partes do mosaico da escadaria.

Entre baldes, latas, pedaços de azulejos, espelhos, outros objetos decorativos, vários instrumentos de trabalho e uma bicicleta, lá estavam Júlio e Fiorella.

Tantas eram as possibilidades para explorar (com um certo cuidado, descobri rapidamente na primeira tentativa de recuar o quadro) no espaço de trabalho deles que, mais uma vez, não cheguei ao final da escadaria.

Parei na atividade do casal e procurei aproveitar a onda da garrafa de vinho que havia tomado no almoço na Trattoria para explorar as imagens que foram surgindo na tarde de 02 de abril de 2019.

Clique AQUI ou na foto para acessar o álbum Mosaico na escadaria

Mosaico na escadaria
https://www.flickr.com/photos/delcueto/25315392498/in/album-72157646181406096/

Algumas dessas fotos estão na coleção Getty Images de Valéria del Cueto, as demais fazem parte do acervo da fotógrafa em @no_rumo do Sem Fim

Conheça o Studio delcueto. Ideias e design disponíveis nas plataformas:
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#valerio2019
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28 de abr de 2019

Para comemorar os 91 anos da Mangueira fotos inéditas do desfile das Campeãs 2019


Texto, vídeos e fotos de Valéria del Cueto

A vencedora do carnaval 2019 fechou o desfile do Sábado das Campeãs. A verde e rosa foi a sexta escola a desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, a Passarela do Samba Darcy Ribeiro, no dia 09 de março de 2019.

O desfile da Mangueira foi a coroação de um ano de muitos percalços e de união para o desenvolvimento do enredo do carnavalesco Leandro Vieira, " Histórias pra ninar gente grande".

A Mangueira armou do lado do Balança-mas-não-cai, assim como a Viradouro, vice-campeã, o que apertou a organização da escola. Explica-se. As duas agremiações estavam posicionadas do mesmo lado da Presidente Vargas no desfile oficial e a previsão é que nas Campeãs esse posicionamento seja mantido.

Mais uma vez, os registros começam na concentração antes da apresentação da Viradouro. Desde a chegada dos coordenadores da bateria, até a preparação dos instrumentos, a distribuição das peças depois do ritual dos ritmistas "vestindo a fantasia" da primeira ala.

O resto é imagem, uma celebração mais descontraída do que a do defile que deu o campeonato à Mangueira, postado aqui.

É claro que essa segunda passada pela pista deu a chance de procurar novos atrativos visuais e sublinhar os detalhes da comemoração, como as faixas e mensagens que apareceram no decorrer da apresentação.

Com dois diferenciais. O primeiro foi a ausência do governador Wilson Witzel em frente ao camarote oficial do Estado do Rio de Janeiro (claro que tentei repetir o registro do encontro) para cumprimentar a escola campeã do carnaval. A segunda novidade é que consegui chegar até a torre e fazer algumas fotos daquele ponto do início da escola e da verde e rosa ocupando toda a Marquês de Sapucaí.

De lá voltei ao segundo recuo de bateria e acompanhei a emoção de fechar, junto com os ritmistas, o desfile já na madrugada de domingo.

Clique AQUI para acessar o ensaio fotográfico Mangueira desfile das Campeãs carnaval 2019

https://www.flickr.com/photos/delcueto/albums/72157706771066561
Ensaio fotográfico e registros no canal del Cueto, no youtube de (C)2019 Valéria del Cueto, all rights reserved @no_rumo do Sem Fim… delcueto.wordpress.com @delcueto para CarnevaleRio.com



Agradecimentos a Mestre Wesley, sua diretoria, os ritmistas da Bateria e os componentes da Gres Estação Primeira de Mangueira pelo carinho e o apoio ao trabalho.

O grupo Gres Estação Primeira de Mangueira, no FLICKR é o acesso para a coleção de registros da verde e rosa da fotógrafa. Curta nossa página no Facebook e faça sua inscrição no Canal del Cueto no Youtube, desde 2008 registrando momentos do carnaval carioca.

Quer ver o que tem por lá? Dá play. Agora são… 59 vídeos da verde e rosa. Passeie por essa história...



Aqui tem mais pra você:

“No rumo do Sem Fim” você encontra o conteúdo produzido por Valéria del Cueto e também links para objetos e desejos produzidos no Studio@delcueto!

Sabe o que é #photodesign? Experimenta nas plataformas:
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24 de abr de 2019

Tartarugas no Caminho, por Valéria del Cueto

Tartarugas no Caminho

Texto, vídeos e fotos de Valéria del Cueto

Não sou a única que respira melhor na Ponta. Outro dia tartarugas escolheram, como eu, a Pedra do Leme para relaxar. As águas claras e transparentes serviram de cenário para o bailado das meninas. Cheguei lá pelas duas da tarde e acabei perdendo a hora na marola do sábado.

Não era uma, nem duas. Filmei três e vi outra fora de quadro. Para poder gravar e fotografar tive que me integrar ao ambiente. Havia chegado no final do Leme em busca do melhor lugar que conheço para refletir (sem desmerecer outros sensacionais). O que diferencia, para mim, a Ponta do Leme das outras pontas, como a do Arpoador, é a minha pedra, o monólito vigilante da Praia de Copacabana.

Em vários momentos, abraçar a Pedra do Leme foi a maneira que encontrei de me conectar a natureza e, dela, tirar forças e ensinamentos transmitidos por sinais que me situam nesse universo. É ali, sentindo seu calor que recebo forças vitais pelo ar, a água, a terra e o calor do sol. Tudo interligado com o bloco mineral que se projeta na paisagem.

Não é só lá que dialogo com a natureza. É isso mesmo, eu me aproximo com minhas dúvidas, incertezas e imprecisões e ela me responde em sua essência. Tipo os sinais de fumaça dos índios, vistos a muita distância, contanto que o tempo colabore. Há que estar em sintonia.

Já tinha esse sistema de mensagens inserido no inconsciente. Me lembro, muito garota, de num momento crucial ter ido para a Praia de Copacabana, no posto 6. Era um dia muito feio, mas estava precisando dialogar comigo mesma. Vestia um suéter verde musgo do meu pai. Caso a chuva anunciada despencasse, certamente ele seria não só inútil como, também, viraria um pano de chão, daqueles que absorvem a água e a gente torce no balde.

Pois foi só chegar num banco, perto do que hoje mora Carlos Drummond de Andrade, para que algo acontecesse nos céus. Por incrível que pareça, chovia pra todos os lados, menos no caminho até o Forte Copacabana. Nunca entendi o fenômeno, mas não demorei muito a captar a mensagem. 

Mesmo que o entorno sofresse muitos abalos, o meu equilíbrio se manteria intacto. Sacudido, claro, mas ele suportaria o tranco.

Foi no Pantanal, entre Cáceres e Corumbá, na viagem da Expedição do Sem fim... do Paraguai, que aprendi com o Chicão, um dos piloteiros, a observar outros sinais. Ele me mostrou as estrelinhas sorrindo no imenso céu pantaneiro. A instrução se complementou na Ilha do Brandão, em Angra do Reis. Lá, Dona Maria me explicou como o ronco de setembro podia definir as ressacas de fevereiro. Se a natureza manda recados, por que não usá-los e lê-los, como mensagens mais diretas?

É claro que não vale a gente pensar só na gente. Funciona melhor quando estamos firmando em energias coletivas. Mas, vez em quando, acredito num recado personalizado. Ultimamente ando lendo as nuvens que se formam para as bandas dos Dois Irmãos, ao lado do Vidigal, depois da curva do Leblon, vista de Ipanema.

Foi com esse espírito que dobrei a curva no início da orla de Copacabana, subindo a rampa para alcançar a estátua de Clarice Lispector na linha dos quiosques, contornando a Pedra do Leme. E, ali, parei diante de uma alteração na paisagem...


Pasmem, agora a Comlurb, a do prefeito Marcelo Crivella, está usando o espaço na areia colado no acesso ao Caminho dos Pescadores como “parque” dos maquinários que usa na limpeza da praia. Os equipamentos, além de poluirem o visual, agridem o meio ambiente. São motorizados. Qualquer vazamento cai direto na areia da praia! A Comlurb e uma penca de secretarias municipais devem explicações e, também, tomar providências urgentes para acabar com essa agressão a um dos mais lindos cartões postais do Rio de Janeiro!

Tudo isso para alcançar o paraíso e, nele, encontrar as tartarugas, cardumes de peixinhos e outros exemplares da vida marinha ali, ao alcance de nossos sentidos.

E chego lá, na mensagem prometida. Ela indica que assim como as tartarugas centenárias... nós ficaremos, eles passarão! Qual as lebres de Esopo e La Fontaine nas suas fábulas, podem até te largado na frente, mas estão indo com muita sede ao pote...

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Da série “Ponta do Leme”, do SEM   FIM...  delcueto.wordpress.com

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