Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Educação, por Gabriel Novis Neves

23 de out de 2014

Educação, por Gabriel Novis Neves


Lendo Gustavo Ioschpe, em recente artigo sobre educação infantil, tive confirmada uma triste conclusão a qual chegara há mais de quarenta anos: não sabemos educar os nossos filhos. 
Educar, dizem todos os especialistas, além de ser uma tarefa difícil, é muito trabalhosa.
Fácil, é estragar as crianças, comenta o educador.
Como médico, observo esse fenômeno desde o pré-natal, parto, puerpério e primeiras semanas de vida. 
Fico surpreso até hoje em verificar que quanto mais educação formal e melhor o nível econômico possuem os pais, maior é a possibilidade de serem criadas crianças infelizes e de difícil adaptação ao mundo que vivemos. 
Crianças saudáveis física e mentalmente são sempre umas crianças promissoras. 
Entretanto, uma série de fatores que as envolvem, principalmente nos primeiros anos de vida, tais como o desamor familiar, a repressão excessiva, a agressividade ambiental, que permeia muitos lares e, até mesmo, o excesso de atenção, são alguns dos componentes que comprometem o futuro da criança na base. 
As crianças não são adultos pequenos. Temos de orientá-las para sobreviverem no mundo atual, que é extremamente competitivo, materialista e aético. 
Prepará-las para se levantarem após as quedas, pois estas acontecerão em algum momento de suas vidas. 
Verificamos, especialmente na “elite branca”, o emprego de excesso de mimo, que parece ser um instrumento utilizado como moeda da compra da felicidade. 
Lembra Ioschpe que em inglês, italiano e francês, a palavra mimo significa estragar. 
Experimentos conduzidos pela psicóloga de Stenford, Carol Dweet, demonstram os erros que cometemos na educação e desenvolvimento das nossas crianças, seja em casa ou escola de alto padrão. 
Ficamos a nos indagar, sem obtermos uma resposta: por que crianças vindas de famílias estáveis financeira e emocionalmente e tendo cursado ótimas escolas, não realizam nada de significativo na vida, tornando-se um ônus à sociedade e aos familiares? 
Quantas crianças foram chamadas de “gênios” e que mais tarde se transformaram em adultos mal resolvidos! Pulam de emprego a emprego, sem motivação com as tarefas que realizam, ficando, muitas vezes, dependentes de terceiros para manter a sua própria sobrevivência. 
“Precisamos mesmo é prepará-las para o fracasso, caso em alguma eventualidade ele ocorra. O segredo não é evitar a queda, mas, conseguir se levantar e seguir a caminhada”. 

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