Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Responsável, por Gabriel Novis Neves

6 de out de 2014

Responsável, por Gabriel Novis Neves

Você já pensou em ser responsável por si mesmo? Acha isso uma tarefa fácil? Pois não é.
Caso você precise se internar em um hospital para um simples procedimento médico, a admissão só será realizada se estiver acompanhado por um responsável pela assinatura obrigatória na ficha de internação, com todos os dados da sua cidadania.
Na vida tudo é possível e, no caso de um insucesso não programado, quem ficaria com o ônus de saldar as despesas hospitalares e serviços médicos?
Mesmo com o depósito prévio, cujo valor é estipulado por cada hospital. Ato esse conhecido como cheque-caução, proibido por lei, mas, no país das ilegalidades, como exigir legalidade de um serviço essencial onde o Estado é o grande ausente?
Se pensarmos bem, somos eternos prisioneiros deste sistema que criamos, e jamais seremos livres.
Até pequenas coisas, sem nenhum valor, que assinamos, senão contiver o nosso carimbo de identificação, não vale absolutamente nada.
A noção exata que sem um responsável não somos nada é fortemente sentida quando precisamos de algum serviço de uma repartição pública.
O número de informações exigidas para sacar um documento é de fazer inveja a qualquer nação medianamente civilizada.
Ando com uma maleta a tiracolo onde carrego todos os comprovantes de que existo, estou vivo e gozando de plena saúde física e mental.
Apesar de tudo, até hoje, não sei em que bairro moro. Recebo correspondências como morador do Bairro Goiabeiras, Popular, Duque de Caxias I, Duque de Caxias II.
Os antigos colocam o nome original, que é o Bairro do Caixão. Este nome os Correios não aceitam, alegando não existir, quando, até há pouco tempo, a rua mais importante deste nobre bairro era a Rua do Caixão.
Como é complicado entender essa coisa chamada vida!
Nem a nossa individualidade é respeitada, exigindo de nós, um responsável.

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