Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Taxa de parto, por Gabriel Novis Neves

14 de nov de 2014

Taxa de parto, por Gabriel Novis Neves

Há muitos anos fui obrigado, por motivos profissionais, a deixar de atender minhas clientes do único plano de saúde com o qual trabalhava - uma cooperativa de médicos (UNIMED). 
Frequentemente, sou abordado por gestantes e familiares querendo saber a minha opinião sobre a cobrança da “Taxa de disponibilidade no acompanhamento ao parto”. 
Só opino sobre o que sei e faço. Devido à insistência cada vez maior de gestantes, e até da imprensa, resolvi pesquisar o assunto. 
Os planos de saúde, com raríssimas exceções, remuneram muito mal aos seus cooperados e credenciados. 
Estes, inconformados, conseguiram do Conselho Federal de Medicina uma autorização para cobrarem, com preço a combinar, o valor dos honorários da “sua disponibilidade no acompanhamento do trabalho de parto”. 
Por esse procedimento o Conselho Federal de Medicina garante legitimidade aos médicos, no caso os obstetras. 
Porém, tal medida tem gerado polêmicas e controvérsias. 
A Associação Brasileira de Procons considera ilegal a cobrança. 
Tribunais de Justiça de alguns Estados acionados, também consideram irregular tal procedimento e suspenderam em suas jurisdições a cobrança da “Taxa de parto”. 
A polêmica existe e envolve ética e moral. 
Logo o nosso Ministério Público será acionado para opinar. 
A evolução tecnológica da medicina tornou muitos procedimentos caríssimos, e o problema para manter uma medicina de qualidade e humanizada para todos é universal. 
Nem o Obama conseguiu resolver a difícil situação da saúde pública no seu país. 
A solução é complexa e depende da vontade política dos nossos governantes nos repasses de maciços investimentos financeiros que essa área requer. 
No momento não enxergamos luz no final desse túnel. Só falação. 
Embora a maioria das gestantes brasileiras expresse seu desejo pelo parto normal, com a cobrança da taxa e pela falta de maternidades e médicos, esse sonho fica na imensa fila das nossas prioridades sociais. 

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