Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: tuberculose, por Gabriel Novis Neves

13 de nov de 2014

tuberculose, por Gabriel Novis Neves


“A Doença dos Poetas”. Assim a tuberculose era chamada durante os séculos XIX e XX, pois mais de quarenta artistas foram vitimados pela doença em todo o mundo. 
Pessoas geralmente de vida boêmia, deprimidas, mal alimentadas e grandes consumidoras de álcool e fumo eram as mais atingidas. Isso sem falar das más condições de higiene. 
Dessa forma, a tuberculose foi integrada ao romantismo por ter ceifado prematuramente vidas de escritores, pintores, músicos, literatos, prostitutas e poetas das altas rodas sociais. 
Na Europa dela foram vítimas: Byron, Emile Bronte, Musset, Murger, Alexandre Dumas Filho, etc. Este último, apaixonado por prostitutas,  escreveu o célebre livro “A Dama das Camélias”, que conta a história da prostituta Alphonsine Duplessis que morreu tuberculosa  aos 23 anos de idade. 
Grande parte da literatura da época foi moldada em função da tísica, como era chamada a doença naqueles tempos. 
Em “Alegoria à Primavera”, de Boticelli, a doença está exposta através de sua modelo Simone Vespucci, falecida também aos 23 anos. 
No Brasil não foi diferente. As figuras famosas de Noel Rosa, Casemiro de Abreu, Castro Alves (o poeta dos escravos brasileiros), Manoel Bandeira, Augusto dos Anjos e tantos outros igualmente importantes, foram mortos pela “Doença dos Poetas”. 
Tudo isso perdurou até mais ou menos 1950 quando do aparecimento de tecnologia medicamentosa capaz de liquidar definitivamente o bacilo de Koch, causador da doença. 
Atualmente, fala-se muito em ebola, a praga que já matou mais de cinco mil pessoas nos países africanos. 
Esquecemos que aqui na terrinha o descuido com as políticas públicas de saúde é tão grande que doenças tidas erradicadas, como a malária e a tuberculose, estão voltando com toda a força. 
A tuberculose, por exemplo, segundo dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), atingiu no Brasil, só em 2013, setenta e um mil cento e vinte e três casos novos (71.123). 
No mundo são cerca de nove milhões de casos, sendo que desses, um milhão e meio vieram a óbito. 
Nada disso foi falado nas campanhas políticas recentes e somos mantidos cegos com relação à nossa própria realidade. As diferentes mídias focam outras  realidades mundiais, enquanto a nossa, gravíssima, passa batido. 
É preciso que nos conscientizemos de toda essa problemática para que cobremos das autoridades competentes medidas urgentes, já que os nossos governantes insistem em considerar o nosso sistema de saúde como satisfatório. 
Satisfatório? Para quem? 

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