Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Futuro, por Gabriel Novis Neves

6 de dez de 2014

Futuro, por Gabriel Novis Neves


Sei que tenho de viver intensamente o presente, pois de há muito passei do meio-dia da vida. Para esse seleto grupo de longevos, o futuro é o hoje. 
Não ignoro meu passado, assim como o futuro será composto por sonhos a serem conquistados ou não, durante mais de um quarto de século. Portanto, inseguro. 
Pensando bem, o presente é o hoje e o amanhã. 
Se fizermos previsões de longevidade, caímos nos chavões das pesquisas eleitorais que nos darão uma margem pequena de acertos para mais, já que para menos não nos interessa, por motivos óbvios. 
Conheço e convivo com pessoas da minha formação acadêmica e faixa etária que tranquilamente administram o presente sabendo ser o futuro uma utopia. 
Temos dificuldades em esquecer que, mesmo na gerontologia avançada, ninguém ambiciona um lindo e duradouro futuro promissor. 
São comportamentos que na prática demonstram situações difíceis de serem compartilhadas. 
De qualquer forma, pessoas que se situam apenas no presente, dando ao passado e ao futuro a importância que eles merecem, me parecem sempre mais leves e pragmáticas. 
O verdadeiro é que essas posições são sempre de origem educacional e cultural, mostrando bem as diferenças filosóficas de cada um.  
Embora reconhecendo que o nosso futuro poderá ou não ser um acúmulo de dádivas, o enfrentamento do presente é completamente diferente para cada um. 
Acabei de participar do nascimento de uma criança. 
Nasceu em boas condições de nutrição e saúde. Ela ainda não tem passado. Vive o presente, na certeza do futuro. 
Assim é a vida. 
Sêneca nos ensina que “aprender a viver não é mais que aprender a morrer”. 

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