Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Gravata em Idosa, por Gabriel Novis Neves

10 de dez de 2014

Gravata em Idosa, por Gabriel Novis Neves

Parece absurdo, mas, infelizmente, é fato. A mídia mostrou uma cena ocorrida no Congresso Nacional que chocou a todos. 
Uma senhorinha de 79 anos leva uma “gravata” dos seguranças daquela Casa. Ela estava ali, junto a outras tantas pessoas, para protestar contra a “presidenta” e tentar impedir a aprovação da “Lei do Calote”. 
Xingamentos e gritos de ordem contra o PT. Tumulto formado. O presidente do Congresso, diante da atitude hostil dos manifestantes, ordenou à Polícia Legislativa que esvaziasse o plenário. No que foi impedido pelos congressistas da oposição. 
Sessão suspensa, claro! 
Nesse tumulto, a senhora de 79 anos levou uma “gravata” de um segurança da casa. Ela estava irada e indignada com a pretensão de alguns políticos governistas em dar um jeitinho para alterar a lei de diretrizes orçamentárias para anistiar a “presidente” do crime de responsabilidade fiscal. 
Uma cena lamentável, deixando claro e patente o despreparo emocional dos seguranças. 
Afinal, que país é esse que se diz democrático e impede a população de se manifestar livremente em matérias vitais como essa em questão? 
O mais grave é que os votantes, em sua maioria deputados sob suspeição de corrupção e conluio com empreiteiras e autoridades, lá estão apenas em função de troca de favores escusos. 
Essa parcela do parlamento, realmente, não nos representa.
A revolta geral é de tal ordem que cada vez mais a sociedade civil continua se manifestando contra tantos desmandos. 
Aliás, é necessário que o poder constituído por um terço da população se conscientize de que os tempos em que se calavam consciências pela força já há muito se foi e que, no momento, tentamos a duras penas criar um país em bases democráticas em que todos possam expressar livremente as suas ideias. 
A sociedade, como um todo, rechaça essa lama que a atinge em função de tantos desmandos e de tantas ambivalências. 
Os que acreditam que, tal qual na Revolução Francesa, quando governantes insensíveis, na falta de pão sugeriram brioches, que se acautelem, pois a paciência e um povo têm sempre os seus limites. 
Não é inteligente subestimar o grau de desespero em que se encontra um povo aviltado em suas necessidades básicas, mesmo pagando um dos mais altos impostos do planeta. 
Será mesmo que as autoridades pensam que se consegue “ordem e progresso” através da força bruta? Esse fato, perante o mundo, nos coloca como terra da barbárie. 
Essas pessoas, que deram a vida para construir esse país, têm como recompensa salários aviltantes, mal conseguindo manter a sua sobrevivência. 
A cena deplorável de violência exibida em todas as mídias envergonha a todos nós e mostra o lado perverso de um sistema que nem sequer consegue respeitar os seus idosos. 

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