Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Promessas de ano novo, por Gabriel Novis Neves

7 de jan de 2015

Promessas de ano novo, por Gabriel Novis Neves

As promessas, na mais das vezes, são sempre difíceis de serem cumpridas, por isso, evito fazê-las. 
Aquelas tradicionais promessas de início de ano são as mais decepcionantes. Principalmente quando as dirigimos a nós próprios. 
Com frequência imaginamos que daremos um giro de 180 graus na nossa vida e, quando conseguimos, no máximo, um de sessenta, já é motivo para grande comemoração. 
Esquecemo-nos que somos regidos por fatores externos, independentes da nossa vontade, e que estes se mostram tão importantes quanto os internos. 
Atualmente, já nem é preciso buscar nas nossas caixinhas emocionais os motivos para tantas frustrações. 
Vivemos um turbilhão de rupturas de valores éticos na política e nos comportamentos, e tudo isso têm nos mobilizado para uma indignação contida, já que não visualizamos em curto prazo qualquer tipo de saída viável. 
Ao contrário, nesse ano de 2015, somos invadidos por uma nuvem de maus presságios, aliás, francamente divulgados pelas diversas mídias, desde sérias dificuldades econômicas até a possibilidade de instabilidade social. 
Há muitos anos não vivenciávamos um Natal tão anestesiado - com rostos tristes, sem iluminação festiva, ruas vazias e corações também. 
As promessas de dias melhores, com mais encantamento e prosperidade, nos soam falsas diante da realidade de um país massacrado pelos desmandos de sua classe dirigente. 
Manchetes esfuziantes das festas natalinas nos países desenvolvidos nos faz sentir como aquele primo pobre, que contempla o primo rico como se de outro planeta ele fosse. 
Dissociados da esperança coletiva, as promessas pessoais de mudanças de hábito e de comportamento perdem a sua força. 
Somos seres gregários e, mais do que nunca, globalizados, incapazes de gerir as nossas próprias vidas independentemente uns dos outros, ainda que encastelados nas fortalezas que imaginamos darem alguma proteção. 
Isso tem sido bem nítido nas grandes cidades. 
O Ano Novo já começa velho, com as mesmas raposas políticas de sempre, algumas até frequentadoras das páginas policiais. 
Nesse clima de incertezas, as festas natalinas perderam o seu brilho e, mais do que isso, tiraram a luz dos nossos olhos. 
O pior é que os ouvidos moucos de nossa classe política não são sensibilizados pela voz das ruas. 
O único interesse é a formação de um Ministério, novamente, composto  por trinta e nove pessoas. 
Pessoas estas, sua maioria, totalmente desvinculadas da causa pública, num momento em que a contenção de gastos se faz prioritária. 
Tudo continua girando em função dos interesses pessoais e na formação de um, cada vez maior, poder político-partidário. 
Parece que o que nos resta é mesmo orar como sugere o Papa Francisco, mesmo acreditando que sem uma forte mobilização social o gigante brasileiro continuará adormecido ainda por muitos e muitos anos. 
Nesse início de ano não há promessas, há questionamentos. 

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