Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Meu avô, por Gabriel Novis Neves

24 de mai de 2015

Meu avô, por Gabriel Novis Neves

Meu avô
“Pau que nasce torto, nunca mais se endireita”, sempre dizia meu avô.
Os mais antigos tinham o hábito de se comunicar por metáforas, “que é a transferência de sentido de um termo para outro, numa comparação implícita”.
São conceitos simples de serem entendidos e nunca esquecidos.
Vira e mexe estou envolvido nessas antigas expressões que moldaram o meu caráter.
Às vezes tento corrigir esses adágios aprendidos nos primeiros anos de vida, mas logo desisto pela impregnação que eles me produziram.
“Duas retas paralelas jamais se encontrarão”. Quem garante isso?
Pessoas não são iguais, mesmo pertencentes à mesma árvore genealógica. No entanto, encontramos muitos desiguais absolutamente semelhantes, como a ilusão da linha do horizonte tocando a terra.
Se tão diferentes em seus princípios tornam-se iguais, encontramos iguais totalmente desiguais, inviabilizando até o mais simples convívio social.
Assim como existe a reta curva, como no autódromo do Principado de Mônaco, onde se disputa a charmosa e riquíssima Fórmula 1, deve existir a curva reta em alguma arquitetura oriental.
É difícil encontrar desiguais iguais que se identifiquem a ponto de mesclarem suas desigualdades, transformando-se em seres iguais, ou em retas que se misturam.
Quando isso acontece, recordamos que duas linhas paralelas nunca se encontram...
Interessante é que as pessoas procuram para seus relacionamentos pessoas semelhantes, na ilusão de estarem escolhendo a correta e duradoura união.
A matemática da vida tem outras regras, não sabia o meu avô...

Nenhum comentário: