Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Abismo intransponível, por Gabriel Novis Neves

13 de jun de 2015

Abismo intransponível, por Gabriel Novis Neves

Abismo intransponível 
Li em algum lugar, sem mesmo me fixar no autor, algo que me fez refletir sobre a dinâmica do comportamento humano. 
O texto dizia mais ou menos assim: “devíamos olhar as pessoas como elas são, examiná-las como elas gostariam de se ver e, finalmente, tentar entender esse abismo entre elas”. 
Impressionante como algumas pessoas, e conheço muitas, se colocam num abismo amedrontador para si mesmas e sem uma causa convincente para os demais mortais. 
Têm elas boa saúde, situação financeira estável, ou abastada, situação familiar dentro dos limites estabelecidos socialmente, sucesso profissional comprovado, vida amorosa invejável e, no entanto, vivem mergulhadas numa insatisfação desmedida em função de pequenos detalhes, desprezíveis, se vistos de fora. 
Suas atitudes se movem independentemente de suas ideias. 
A má interpretação é uma consequência lógica. São pessoas que, mesmo não sendo egoístas, são momentaneamente dominadas pelo autocentrismo. 
A preocupação com o outro, apesar de sempre presente, se dispersa nas suas próprias autorreferências e vaidades. 
Isso faz com que eu me lembre do grande filósofo grego Sócrates que costumava preconizar: “o que quer que você faça, vai se arrepender sempre”. 
Para mim, isso é a negação de todo pensamento coerente. 
Perdão pela ousadia em me contrapor ao pensamento de um dos maiores filósofos da história da humanidade. 
Depois de uma longa viagem pela vida, mesmo tendo parecida fugaz, chego à conclusão que a única possibilidade de convivência é através da compaixão. 
Não se farão amigos, sequer conhecidos íntimos, sem esse sentimento, tamanha é a diversidade da alma humana. 
A compaixão - essa capacidade de entender e amar o próximo, independentemente do que gostaríamos que ele fosse - talvez seja o mais nobre dos sentimentos, ainda que venha travestida de uma arrogância complacente. 
Entender, sem julgamento, que algumas pessoas não conseguiram fazer o distanciamento necessário entre a criança e o adulto que as habita, é absolutamente necessário, não só para viver, como também para livrar o outro de suas culpas involuntárias.


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