Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Amada amante, por Gabriel Novis Neves

7 de jun de 2015

Amada amante, por Gabriel Novis Neves

Amada amante 
Só mesmo um país absolutamente surreal proporcionaria a cena de mau gosto explícito durante o depoimento de uma doleira, já presa e incriminada por transações ilícitas em várias ocasiões, em uma CPI que investiga as imbricações políticas da chamada operação “Lava Jato”. 
Inimaginável para o compositor da famosa canção “Amada Amante” que um marqueting de tamanha  força fosse  ocorrer justo durante  uma sessão de alto interesse para o país e, portanto, com grande visibilidade. 
A referida depoente, ao falar do seu relacionamento com um colega de profissão, também incriminado na mesma operação, foi acometida de um surto romântico e passou a cantar a bela música acompanhada por um dos componentes da CPI. 
A simples palavra amante tirou da depoente ilações filosóficas, e imediatamente passou a  defender a beleza do termo. 
Diante do quadro de estupefação geral, o presidente da mesa tratou de desligar os microfones.  
A ré mostrava-se desenvolta, segura, explicitando que o Brasil é um país movido à corrupção. Corroborava a tese com o argumento de que depois da operação “Lava Jato” o país entrou em franca recessão. 
Isso mostra a total inversão de valores que se instalou em grande parte da sociedade brasileira, quando, um maior desenvolvimento econômico passou a ser associado à corrupção. 
Realmente vivemos num país esdrúxulo que, além de estar com uma economia decadente, escancara conceitos cínicos e imutáveis, infelizmente compartilhados pela maioria dos envolvidos no esquema das corrupções violentas que provocaram  o rombo descomunal constatado nas contas públicas. 
Quando imaginamos tudo ter visto, o que parece é que esse circo ainda trará muitos espetáculos, no mínimo, surpreendentes. 
Aliás, essa capacidade para transações tenebrosas condiciona, pelo menos, a presença de  figuras com grande comprometimento psicossocial.

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