Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Escrever, por Gabriel Novis Neves

5 de jun de 2015

Escrever, por Gabriel Novis Neves


Escrever 

De há muito anos cultuo o hábito de escrever diariamente sobre o cotidiano. 
A riqueza dos primeiros tempos, os anos dourados, com as suas agradáveis surpresas, foram substituídos pela rotina do previsto. 
Propinas e escândalos públicos contaminando a já precária saúde econômica da nossa sofrida nação, mentiras sem fim, acompanhando a corrupção desenfreada com a insuportável impunidade, este é o nosso cenário do dia a dia atual. 
Violência urbana e rural, desemprego, miséria aumentando e o abandono da coletividade sem fim, compõem o painel do momento. 
Balancetes oficiais sobre os desmandos administrativos nos órgãos públicos, sentidos pela população, não sendo aceitos pelos países sérios, como foi o caso da Petrobras, nos são jogados sem maiores explicações. 
Escrever sobre esses fatos que ilustram o nosso cotidiano faz mal à saúde de todos. 
No mundo moderno das inovações, talvez fosse interessante deletar esse ato de mais puro prazer, que é a comunicação escrita. 
Insistir comentando fatos desagradáveis pode levar-nos à desarrumação dos nossos neurônios, alterando, principalmente, a produção de substâncias importantes para o nosso equilíbrio emocional. 
Com tecnologia podemos aferir a dosagem das serotoninas, neurotransmissores cerebrais ligados ao nosso bem estar e dopaminas estimulantes do nosso sistema Nervoso Central (SNC), conhecidas como substâncias antidepressivas. 
A repetição em massa dessas informações está transformando a nossa sociedade em dependentes químicos. 
Com a eliminação das escritas diárias estaria vacinado e vacinando parte da nossa gente contra esse mal que afeta a humanidade. 
Os bons exemplos, e são muitos do cotidiano, não refletem nas pesquisas de opinião que orienta o comércio da notícia. 
Notícia boa não dá IBOPE, dizem os entendidos em marqueting. O que sempre vendeu nos meios de comunicação foi sangue, quanto mais, melhor. 
De tanto explorar esses produtos comerciais nossa sociedade apresenta sinais gritantes de socorro médico. 
Não é sem motivo que os antidepressivos são os medicamentos mais vendidos no Brasil, acima dos países maiores consumidores dessa droga (Rússia, Índia, Coréia, México e Turquia). 
Vale a pena continuar a escrever sobre esse cotidiano do século XXI? 
Aliás, mesmo não escrevendo, as mídias televisivas estão aí mesmo, ansiosas por faturamentos cada vez maiores.

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