Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Ídolos, por Gabriel Novis Neves

9 de jun de 2015

Ídolos, por Gabriel Novis Neves

Ídolos 
Sem dúvida alguma somos um dos países que mais cultiva seus ídolos. 
Pena que há muito tempo não aparece nenhum grande ídolo político. Até ameaçamos idolatrar um em passado recente, mas o príncipe logo se transformou em sapo e a fantasia se evaporou. 
Culturalmente nossos ídolos não chegam a ter grande repercussão. Ficam restritos a uns poucos intelectuais que os cultivam e os veneram. 
A partir de Pelé, o grande ídolo dos anos setenta, ficamos conhecidos internacionalmente como o país do “futebol arte”. 
Já fomos velozes corredores de automóveis na época em que o nosso famoso Airton Senna brilhava nas pistas internacionais e nos brindava com sucessivos troféus. 
A sua morte prematura teve um grande impacto na população e deixou o país inteiro deprimido por tamanha perda. 
Quando das vitórias sucessivas do tenista Guga, nos transformamos todos em tenistas viciados, e o esporte bateu todos os recordes de interesse entre a juventude brasileira. 
Agora, fascinados por Gabriel Medina, nos tornamos surfistas contumazes, e a venda de pranchas foi muito superior a de todos os anos anteriores, principalmente entre a garotada. 
Faixas de areia da belíssima praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ficam lotadas desde os primeiros raios de sol, onde acontecem os julgamentos das melhores performances do surf mundial. A tribo de surfistas belos e sarados aumenta a cada dia. 
Aliás, essa é uma característica bem brasileira, transformar tudo em festa, mesmo que as condições de vida não estejam lá para grandes comemorações. 
O futebol, a nossa maior paixão, depois do fatídico 7X1, fez com que as nossas atenções se voltassem para a conquista de novos ídolos. 
Seria a maneira de transferir a nossa frustração para outras bandas, já que a outrora pátria do futebol foi motivo de deboche pelo mundo afora. 
Interessante que, através dessa projeção de sucesso para alguém, conseguimos minimizar a nossa baixa autoestima, essa eterna sensação de subdesenvolvidos, sempre na busca do país do futuro. 
O aparecimento desses ídolos, ainda que meteóricos, faz com que nos sintamos vitoriosos, mesmo bem setorizados.

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