Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: A pérola da América do Sul, por Gabriel Novis Neves

22 de jul de 2015

A pérola da América do Sul, por Gabriel Novis Neves

A pérola da América do Sul 
Fiz uma recente viagem ao Chile. Voltei absolutamente encantado por aquele pequeno país da nossa América do Sul. 
Os últimos (ou primeiros) vinte cinco minutos de um voo de quatro horas e meia são os momentos mais deslumbrantes da viagem. É quando sobrevoamos a imensa Cordilheira dos Andes. Um impacto inesquecível - fascinante e ao mesmo tempo uma aterradora visão. 
Num raro dia de visibilidade total, a vasta cobertura de neve nas montanhas  de diferentes alturas e formatos, dá a  real dimensão do quanto somos pequenos no universo. 
Impossível não lembrar imediatamente do acidente aéreo ali ocorrido há alguns anos em que uns poucos sobreviventes tiveram que praticar o canibalismo. 
Aliás, difícil imaginar alguém sobreviver em condições tão desfavoráveis. 
Desde o pouso, logo em seguida, Santiago se mostrou uma cidade moderna, muito bem cuidada e com um povo extremamente educado e receptivo. 
Cercada pela Cordilheira, encontra-se num vale a quinhentos e quarenta metros de altitude e com uma população de seis milhões de habitantes. No total, o país conta com vinte e seis milhões de habitantes. 
Logo nos fascinam os inúmeros prédios modernos ao longo da cidade, todos construídos segundo as normas tecnológicas vigentes à prova de abalos sísmicos. 
Chama também a atenção a extrema limpeza das ruas e avenidas, todas muito arborizadas e com um calçamento impecável. 
Sua polícia montada, superelegante, é considerada a terceira mais eficiente do mundo e é vista com frequência nos lugares mais movimentados. 
Crianças de rua, nem pensar! E, mesmo nos bairros mais pobres, pessoas decentemente vestidas, agasalhadas para o frio local de sete graus centígrados nessa época do ano. 
Incrível como um povo tão ameaçado pela inospitalidade da natureza comporta-se com tanta tranquilidade! 
O Chile é considerado o segundo país com o maior número de terremotos e de vulcões do planeta, apenas suplantado pela Indonésia. 
Para minha surpresa, uma gastronomia de alto nível, graças à excepcional qualidade de seus frutos do mar representados pela centolla (caranguejo gigante que também existe no Alasca) e seus moluscos típicos de águas geladas tais como, “los locos”, “las machas” e “los ostiones”, todos alucinantes para as papilas gustativas mais exigentes. 
Como se não bastasse, aquelas iguarias vinham acompanhadas por vinhos considerados de excepcional qualidade, reconhecidos internacionalmente. 
Num dos hotéis mais luxuosos da cidade encontra-se a maior adega da América do Sul e que decora a fachada do hall de entrada do hotel. Lá existe uma imensa boutique de vinhos onde podem ser adquiridos, inclusive, os de safra rara. 
Como nem tudo é perfeito, também nesse pequeno reduto de organização,  há escândalos  no  ar sobre corrupção da governança atual, tudo sendo averiguado. 
Enfim, tristeza na hora de voltar desse país modelo de organização, uma verdadeira pérola na América do Sul e, principalmente, voltar para a nossa triste e deprimente realidade socioeconômica, apesar de uma natureza tão acolhedora e rica. 
Será que merecemos mesmo todo esse desprezo e toda essa apatia dos nossos governantes aos quais temos sido submetidos nesses mais de quinhentos anos de existência? 
Como diz a música, “quem paga para que fiquemos assim”? 
Já é hora do Brasil “mostrar a sua cara”. 

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