Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Cesarianas, por Gabriel Novis Neves

29 de out de 2015

Cesarianas, por Gabriel Novis Neves


Cesarianas 
Constato, com pesar, o abusivo e indiscriminado uso de cirurgias cesarianas. 
O Brasil é um dos países recordistas nesse procedimento que determina mês, dia e o horário de nascimento de nossas crianças. 
A cirurgia obstétrica foi uma das grandes conquistas da medicina moderna - quando usada com critérios preestabelecidos através de protocolos internacionais. 
Não obedecidas as normas   protetoras da saúde do binômio mãe-feto, transforma-se em notícias das páginas policiais. 
A mulher, que a princípio foi programada pela mãe natureza para o parto natural, aos poucos viu esse privilégio ser colocado como excepcionalidade na reprodução humana. 
A extração cirúrgica do feto, mesmo antes da data provável do parto, salvou da morte, milhares de mulheres e de recém-natos. 
Para esse aumento incontrolável da taxa de partos cirúrgicos, múltiplos fatores foram determinantes. 
A judicialização da medicina e a remuneração não condizente ao período de trabalho de parto, cuja duração varia de 10 a 12 horas, além da implantação, com sucesso, da ideologia da eficiência tecnológica pelas mídias, foram, com certeza, fatores preponderantes. 
Acrescente-se a isso, o despreparo de muitas das nossas escolas médicas na formação de obstetras, além da desumanização que tem sofrido a medicina nas últimas décadas. 
Em algumas clínicas particulares o parto natural só acontece se a gestante for internada em período expulsivo. 
Nas maternidades públicas a taxa de partos cesáreos é, pelo menos, o dobro da recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 
O nosso sistema educacional tradicional básico é um grande incentivador do “parto sem dor”, tido e sabido, erroneamente, como sendo a cesariana. 
Por essas razões, pesquisas entre gestantes demonstram uma maior preferência pelo parto cesáreo, isso sem falar na possibilidade de uma laqueadura das trompas durante a cirurgia, e que acaba se tornando o sonho anticoncepcional de muitas mulheres. 
Para inverter esse quadro equivocado seriam necessárias, não apenas campanhas sazonais, mas,   principalmente, uma abordagem já nos ensinos fundamental e médio - complementadas pela educação caseira. 
Nossos governantes precisam também ter uma visão social para este problema que vem se tornando um flagelo de saúde pública no nosso país. 

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