Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Sequelados digitais, por Gabriel Novis Neves

27 de out de 2015

Sequelados digitais, por Gabriel Novis Neves

Sequelados digitais 
A medicina já começa a se preocupar com a nova doença do século XXI - os sequelados da era digital. 
Tudo muito relacionado à imensa solidão que dimensiona o número de amigos pela maior ou menor quantidade de pessoas conectadas virtualmente. 
São pessoas que, para se sentirem permanentemente conectadas, começam a usar de dois a três celulares. Quando, por alguma razão, a conexão não pode ser estabelecida, passam a desenvolver sintomas de abstinência, tais com sudorese e taquicardia. 
Isso já tem sido observado com relativa frequência nos ambulatórios clínicos. 
A tecnologia moderna, apesar de sua absoluta relevância, tem desencadeado inúmeros casos de dependência, exatamente como as drogas ilegais, já que a linha entre o usuário digital compulsivo e o viciado em drogas é muito tênue. 
Crescem também os problemas ortopédicos, em função das quedas daqueles que não abandonam a verificação de suas mensagens nem durante a deambulação.  
Dia desses, numa de minhas viagens ao Rio, durante a encenação de uma excelente peça teatral, cujo conteúdo demandava uma grande atenção da plateia, um senhor ao meu lado conferia neuroticamente as mensagens recebidas, numa total demonstração de compulsividade. 
Fiquei a pensar sobre a gravidade desse fato que se repete em todos os ambientes. 
Isso para os jovens é devastador, já que as nossas mais profundas experiências e emoções estão ligadas ao tato, ao olfato, à audição e à visão. 
São os nossos bilhões de neurônios sensoriais privados de suas verdadeiras funções em virtude de uma enorme perda de tempo em busca de emoções virtuais, na maioria das vezes frustrantes. 
Estamos todos nos tornando cegos em relação às nossas próprias percepções e, portanto, mais suscetíveis a uma visão de mundo vendida pela obnubilação da coletividade.

Um comentário:

Divyan Diya disse...

​​Sequelados manifestam-se de qualquer maneira, não só usando a internet. A meu ver, um tipo de sequelado é quem toma cachaça até ficar retardado, o que é bem pior do que ficar obnubilado, ​pelo motivo que for. Mas aí, ninguém estranha o que sempre existiu. Também ninguém mais fala disso, nas fortunas perdidas, nos lares desfeitos, ​das cirroses adquiridas, ​etc.​ e até a Medicina esqueceu-se destes.​ Qualquer vício é descontrolador e as consequências disso são imprevisíveis.
​Ao que se refere seu texto, eu não chamaria de sequelados​, ​não todos, porque pessoas ausentes sempre houveram. Só a forma é que muda, de acordo com seu tempo. ​Muito antigamente era o homem que se confinava no escritório ou na oficina, enquanto a mulher se ​isolava cuidando da casa ou na máquina de costura. Depois veio o jornal, que criou a mudez; o programa de rádio, que criou o "pchhhhh"; a TV, que criou o "já vou" e a internet, que criou o "só um pouquinho". ​Nada demais. Antigamente sabíamos o que acontecia ao nosso redor, mas hoje sabemos o que está pra acontecer ao redor do mundo, em tempo real. Tudo sempre foi igual com o ser humano. ​Evoluímos através da nossa curiosidade, que nos faz pensar e criar. Nosso cérebro evoluiu, a Ciência anda a bites largos e não tem como ficar​-se​ atrás. A internet é uma ​capacidade extra que nosso corpo adquiriu, que nos permite estar​mos​​​ em todos os lugares ao mesmo tempo. ​O tédio e a solidão ruíram​ e agora temos olhos de águia. ​
Acho prudente o esforço pra nos adaptarmos a essa realidade com nossas perninhas curtas, porque sem tecnologia, definitivamente não dá!
Abraço!