Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Maquiagem, por Gabriel Novis Neves

19 de out de 2015

Maquiagem, por Gabriel Novis Neves

Maquiagem
Após longa e complicada gestação o governo anunciou a tão esperada reforma ministerial para salvar a nossa economia.
Os cortes foram pouco expressivos se compararmos com os gastos astronômicos feitos nos últimos anos.
Lembra mais uma maquiagem do que medidas de austeridade.
A certeza que ficou para nossa gente foi que houve, de fato, uma enorme barganha política.
Barganha no sentido de conseguirem empurrar goela abaixo do contribuinte mais impostos via aprovação do amestrado Congresso Nacional e exorcizar o pavor do impeachment da presidente pelas pedaladas fiscais, além, de prováveis complicações com a equipe do juiz Sérgio Moro.
Presenciamos um escandaloso toma lá, dá cá, onde qualificações não foram sequer pensadas para preenchimento dos cargos vagos de ministro.
Esse estardalhaço todo em torno do novo ministério teve como único objetivo garantir a permanência no poder do grupo dominante.
Precisamos, na verdade, de um Ministério de Salvação Nacional, e não, de Salvação Pessoal.
Tentar demonstrar que o governo irá fazer economia tirando dez por cento do salário dos ministros, presidente e seu vice, é pura enganação.
O Ministro da Fazenda receitou um corte bem mais acentuado para evitar a criação de novos impostos e a retirada de direitos adquiridos dos aposentados (fator previdenciário).
Controlando a evasão fiscal ficaríamos com o ajuste fiscal dos sonhos, mas o novo Ministro da Saúde tem como prioridade a defesa do renascimento da nova CPMF (imposto sobre os cheques) em cobrança dupla.
Essa troca de ministros não promoverá equilíbrio fiscal, nem melhorará a credibilidade e eficiência na gestão pública. Apenas oito ministérios saíram do organograma do governo, de um total de trinta e nove.
Seus componentes não foram escolhidos por mérito, o que inviabiliza qualquer possibilidade de recuperação da nossa economia.
Houve um arranjo para garantir maioria no Congresso Nacional.
Na República Velha era frequente a formação de ministério de coalizão para enfrentar crises nacionais com a participação da oposição.
Este apresentado é de salvação da pessoa da presidente.
Não perder as esperanças é o que nos resta.
Esperamos que a maquiagem não continue na próxima votação do Congresso. 

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