Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA

28 de nov de 2015

Terceira idade 
Para o médico Emílio Moriguchi, uma das maiores referências em geriatria, envelhecer não é um castigo, mas uma conquista que pode ser alcançada com prazer e hábitos de vida simples e saudáveis. 
No exercício da profissão de médico, o afeto na relação médico-paciente, tão distante nos dias de hoje, é fundamental no processo de ajuda aos que nos procuram. 
No mundo moderno, da pressa e do descarte, já não há muito lugar, infelizmente, para o carinho e para a atenção. 
A tecnologia substituiu o médico e, muitas vezes em uma consulta, o paciente sai do consultório direto para os laboratórios com os pedidos de exames gerados pelo computador, mal conservando com o médico que o atendeu. 
Ao retornar com os exames o computador formula a receita médica. 
O pior é que, com a mercantilização da medicina, existem colegas exercendo assim a sua profissão, e os clientes ficam muito satisfeitos com a rapidez do atendimento. 
Sinal dos tempos! A necessidade de humanização numa profissão de tão diferentes variáveis não é mais levada em conta! 
O pobre do paciente não foi ouvido pelo médico, não teve a oportunidade de falar dos seus medos, das suas angústias, de suas frustrações. 
Sabemos que a maioria dos problemas que leva um paciente ao médico é de origem emocional. O médico tem de ouvir o seu paciente, pois, ao entendê-lo no seu todo, é possível tratá-lo melhor nas suas necessidades. 
“A essência da vida é a emoção”. Entender as nossas emoções é curar muitas das nossas queixas orgânicas. Para isso o médico tem de estar preparado para se doar sempre e entender o mundo dos mais necessitados.
Simples perguntas têm ações terapêuticas: “como vão às coisas?”, “Tudo bem em casa”? “Satisfeito com o trabalho”?. 
O computador está substituindo o médico, sendo que este passou a ser um recepcionista de luxo das máquinas sofisticadas, sem as quais não se faz medicina tecnológica. 
Precisamos reconduzir o humanismo ao nosso arsenal de trabalho médico. Quantas vezes recebemos um paciente que já consultou o “doutor Google” e diz ter problemas no coração! 
Com uma boa anamnese descobrimos que todos os sinais e sintomas são decorrentes de problemas familiares. 
O idoso é lábil emocionalmente. Seu maior inimigo é a depressão. E a causa, na maioria das vezes, é a falta de carinho humano. Como peça prestes a ser descartada, sua visibilidade vai ficando cada vez menor pelos circunstantes e familiares. 
Proliferaram as clínicas de geriatria em países desenvolvidos com o aumento de expectativa de vida superior aos oitenta anos. 
Infelizmente, gente especializada para atender esse contingente de pacientes não existe entre nós em número suficiente. 
A terceira idade, ou melhor idade, como é de hábito chamar o período de vida daquele que ultrapassou os sessenta anos, não é uma coisa nem outra, na verdade, é o período em que todos ficam mais sensíveis às emoções, anteriormente pouco valorizadas. 

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