Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Brigas de casal, por Gabriel Novis Neves

24 de jan de 2016

Brigas de casal, por Gabriel Novis Neves

Brigas de casal 
Certamente, muito mais relativas à instituição do casamento do que propriamente aos cônjuges, acontecem, com tanta frequência, as brigas de casais. 
Pessoas oriundas de culturas diferentes, com diferentes condicionamentos de vida e de valores são, de repente, jogadas numa convivência diária e promíscua. 
O que anteriormente justificava a razão para esse entrosamento, conhecida romanticamente como amor, logo se transforma num pesado fardo para ambos que, imediatamente, tratam de  viver em função de um bem maior, a organização e manutenção da família. Isso nos é ensinado desde sempre, e se torna um dos pilares da sociedade em que vivemos. 
Jamais fomos consultados se este é o estilo de vida que mais nos agrada. Assim as nossas escolhas afetivas vão sendo sufocadas pela vida afora, sem mais nem por que. 
Não é de se estranhar que essa verdadeira prisão emocional, na maioria das vezes emoldurada por comportamentos hipócritas de ambas as partes, traga inúmeros problemas de convivência, inclusive para a prole formada nesse núcleo familiar. 
A tendência é sempre culpar as pessoas, esquecendo-se assim de que o grande vilão é o tipo de organização que impõe a anulação  de um dos cônjuges, ou de ambos, quando se instala  o estado de anestesia familiar. 
Assim são empurrados inúmeros casamentos, algumas vezes até considerados muito felizes pela moral vigente. 
Mecanismos de prosperidade econômica, na grande maioria das vezes,  ajudam, e muito, na manutenção da muleta mútua. 
Nas classes mais abastadas os jovens andam conseguindo soluções criativas - quer vivendo em casas separadas, quer conseguindo manter a  relativa privacidade de cada um, ainda que num mesmo apartamento. 
Como as pessoas são absolutamente únicas, fica muito difícil que, pelo menos, nos primeiros anos de convivência, que são os mais complicados, não surjam as chamadas incompatibilidades. 
Fundamental, a meu ver, seria que cada  um pudesse manter ao máximo a sua individualidade e os seus gostos, desfrutando juntos apenas os momentos prazerosos   verdadeiros. 
Aquela repetida frase “só vou se você for”, logo se transforma numa grande causa de angústias e dissabores.
A independência, em todos os seus aspectos, talvez seja  uma das grandes aliadas dos raros casamentos felizes. 
A natureza, com a sua premência de perpetuação da espécie, impede que uniões fossem muito mais tranquilas se já feitas na maturidade. 
Ao que tudo indica, na juventude, as grandes causas de discordância são a financeira, a diferente visão na criação dos filhos e a terrível sensação de posse que gera o grande destruidor, o ciúme. 
Com o passar dos anos a liberdade afetiva, que tanto  aflige a humanidade, já não tem tanta importância, uma vez que experiências  várias foram vividas na sua plenitude. 
Impressionante como a segurança é diretamente proporcional ao número de anos vividos. Somos agraciados com um processo  de doação mais fácil e nos tornamos menos exigentes e menos possessivos. 
Aprendemos a amar no outro, não só as suas qualidades, mas também os seus defeitos. 
Dialogar sempre é o melhor remédio, e vem ajudando, e muito, as relações entre os casais, fato inusitado  nas gerações passadas. 
Como dizia o nosso querido sociólogo Betinho: “As modificações no mundo não correm, andam”. 

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