Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Crise sanitária, por Gabriel Novis Neves

6 de jan de 2016

Crise sanitária, por Gabriel Novis Neves


Crise sanitária 
Como se já não bastassem as crises política, econômica, ambiental, social, moral e racial pelas quais temos sido assolados nos últimos anos, terminamos 2015 com uma sombria crise sanitária. 
Todas estão interligadas e não podem ser separadas por ordem de importância. 
De dimensões imprevisíveis, por inédita como se apresenta, vem desafiando os meios científicos em busca de correlacioná-la com o mosquito aedes aegypt, já responsável pelo vírus da dengue e da febre chicungunha. 
Esse mosquito, catalogado como capaz de transmitir mais de cem tipos de vírus, agora nos alarma pela transmissão do vírus Zika, sendo este responsável pelas graves alterações morfológicas nos cérebros de recém-natos, conhecida como microcefalia. 
Só o tempo vai dizer a gravidade desse novo problema sanitário que, segundo as mídias, está tomando proporções alarmantes. 
O fato é que as nossas classes dirigentes nunca se preocuparam muito com o saneamento básico, primordial, nos países desenvolvidos. 
Um país tropical como o nosso mostra o mais profundo desprezo em cuidar dos seus mares poluídos, seus rios assoreados, suas colinas desmatadas, enfim, de nossos sistemas ambientais. 
Isso sem falar no desinteresse criminoso no controle de nossas barragens, todas passíveis de grandes desastres ecológicos com o ocorrido recentemente na barragem de Mariana.
Há algumas décadas fomos eficientes no combate à malária, à sífilis e à tuberculose, conseguindo praticamente erradicá-las em nosso país.

Graças, entretanto, à miséria sanitária que nos ronda, essas doenças, não só têm voltado com força, como também várias outras, como a dengue, a febre chicungunha e agora toda essa interrogação com o vírus Zika. 
Como profissional de saúde durante os últimos cinquenta anos venho batendo nessa tecla do desprezo das nossas classes dirigentes com relação ao saneamento básico, apenas focado durante as campanhas eleitorais. 
Mais uma vez, sem educação não há cobrança da sociedade civil por esse saneamento fundamental para a saúde de nossa população. 
O que fizemos para merecer esse potencial de crises que, diante do desprezo pelo seu acúmulo, vem tornando todo um país refém de desse lamaçal de incompetências? 
Nesse momento crítico de nossa história ou reunimos todas as nossas forças para reverter essa ordem de políticas menores, ou chafurdaremos todos nesse pântano de subdesenvolvimento não sei por quantos outros séculos. 
Onde andará o espírito democrático de “governar para o povo e pelo povo”? 
Por que pagamos tão caro por serviços tão omissos? 
Seria o momento ideal para que nossa classe dirigente passasse a agir em função de um interesse maior, o da nação, e não, em função de interesses mesquinhos, politiqueiros, que apenas conseguem levá-los ao câncer ou ao cárcere. 
Não precisamos de um salvador da pátria, até porque ele não existe, precisamos é de uma compreensão global da gravidade do momento que vivemos. 
Sem utopias, ainda é tempo de mudar os destinos desse belo país através de uma grande união nacional baseada no entendimento e na solidariedade, sem vínculos corporativistas nem vaidades pessoais, mas visando o bem estar desses duzentos e dez milhões de brasileiros desvalidos.

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