Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Manoel de Barros, por Gabriel Novis Neves

22 de nov de 2014

Manoel de Barros, por Gabriel Novis Neves

 
Após bem cumprir o seu ciclo vital na Terra, viajou para outros planos o poeta cuiabano Manoel de Barros. 
Sua obra foi destaque na grande mídia durante dias, e o momento é para refletirmos sobre o nosso papel aqui no planeta. 
No mundo capitalista e consumista, onde o importante é o ter, e não o ser, os versos do poeta pantaneiro nos despertam para o valor das “insignificâncias” do mundo e das nossas. 
Demonstrou na literatura como é vital valorizar as “insignificâncias” que temos e não percebemos - principalmente as belezas e riquezas naturais. 
As pedras do riacho, as borboletas, os insetos, o silêncio, o meio-ambiente, a vida animal. 
Fez opção pela vida no campo, embora fosse possuidor de formação universitária no Rio de Janeiro, onde cursou a Faculdade de Direito e morou por alguns anos. 
Também conhecia o mundo, tendo feito várias viagens internacionais, como para a cidade de Nova York nos Estados Unidos da América do Norte. 
Decidiu aos treze anos o que gostaria de ser quando crescesse. E escreveu em carta ao seu pai: - um fazedor de frases.
Nascia nesse momento o poeta das “coisas insignificantes” que encantou o mundo com a sua simplicidade. 
A tecnologia não o escravizou, escrevia os seus versos a lápis com borracha ao lado em pequenos cadernos escolares. 
Brincava dizendo que sua inspiração vinha da ponta do lápis. Disciplinado, sempre acreditou no esforço para agrupar palavras que terminavam em versos. 
Talvez tenha sido o último poeta que “só usou a palavra para compor seus silêncios”. 
Suas lições são legados de um sábio que, sabendo da sua importância, nunca abandonou a “vadiagem inspiradora do seu pantanal”.

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