Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Futilidade, por Gabriel Novis Neves

24 de dez de 2014

Futilidade, por Gabriel Novis Neves


Futilidade 
Segundo Houaiss, futilidade significa superficialidade, insignificância. Mas, o que seria do mundo sem esse substantivo feminino? 
Leio em uma revista na sua página nobre, uma entrevista que é uma verdadeira homenagem a pessoas que possuem esta qualidade. 
Tudo relatado pela papisa do Botox no Brasil. O texto é tão grotesco que logo associei à matéria paga. Ao iniciar a leitura o meu desejo foi de virar as páginas amarelas. 
Lembrei-me do folclórico “Guaporé”, personagem da nossa infância. Ele era famoso entre a gurizada. A história era contada por uma ilustre educadora cuiabana. 
Por isso “aguentei” ler toda a matéria, mas somente depois de ter liberado muita adrenalina, produzida pela agressão sofrida pelas minhas suprarrenais, e pude assim aferir o grau de insignificância da reportagem. 
Entre os predicados da entrevistada está o orgulho de não revelar a sua idade, peso, altura, e confessa que não se deixa ver sem maquiagem, nem pelo marido. 
Desde os treze anos de idade ela só usa sapatos de salto alto. Que belo currículo, hem? 
Conta “causos” de consultório, onde sempre se faz aparecer como heroína. Nunca errou na sua profissão. 
Ela Justifica as críticas que recebe como correção em tratamentos mal sucedidos realizados por outros colegas. 
Recebe “bombas” de todo o país para “dar um jeito” e, muitas vezes, é impossível restaurar o erro cometido por outros. 
Considera-se o centro do universo e cita nomes de clientes famosos para impressionar o leigo e dar uma pista dos seus honorários com a sua arte de enfiar Botox em corpos humanos com bom cartão de crédito. 
Nesse show de futilidade só faltou dizer que ela corrige os erros cometidos por Deus ao fazer o homem e a mulher. 
Na verdade esse espaço em revista de grande circulação mostra a tentativa de universalizar a beleza, tornando o seu mercado bastante atrativo agregando inúmeros interesses comerciais. 
Infelizmente, explorar a vaidade de incautos foi sempre um negócio muito rendoso. 
Mais uma vez cabe aos pais e ao sistema educacional darem à sociedade o substrato para a formação de pessoas seguras e com discernimento, afim de que não se deixem influenciar pela crueldade das diversas mídias, logicamente alimentadas por interesses financeiros. 
Verdadeiros monstros deformados por essa ânsia desenfreada da juventude perdida vão povoar as várias gerações que nos sucederão. Aliás, já estamos começando a ver isso no nosso diário. 
A busca do ego condescendente é a única saída para o inevitável desgaste das nossas carcaças. 
O mais importante mesmo é cuidar da parte emocional e não somente da estética, compromisso maior de qualquer profissional de saúde. 
Quem sabe um dia novos rostos serão criados em impressoras 3D, quando a autoestima de alguém estiver ligada apenas a razões tão fúteis. 

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