Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Armas do Humor, por Gabriel Novis Neves

21 de jan de 2015

Armas do Humor, por Gabriel Novis Neves

É tido e sabido que não só os tiranos, mas, principalmente, os fanáticos radicais, ficam extremamente mobilizados pela pungência das armas do humor. 
Ou alguém já se esqueceu da ira que as charges do jornal Pasquim causava aos detentores do poder na época da ditadura brasileira? 
A rigor, o mundo inteiro repudia os atos abomináveis de terror recentes na França, mas, como bem disse o seu presidente Hollande, “não acabaram as ameaças com a simples morte de  seus três extremistas assassinos”. 
A morte de dois, três ou mil terroristas, por si só, não elimina a enorme onda de violência que sempre existiu no mundo e que agora recrudesce. 
As palavras de Hollande no tocante “à liberdade e ao pluralismo”, são as únicas que, de fato, vão ao encontro do espírito europeu. 
O que realmente apavora o mundo é a xenofobia, assim como o aumento de todos os tipos de preconceito e a intolerância religiosa, no momento voltado contra o islamismo. 
Tudo isso forma o caldo ideal para nutrir a indústria bélica, sempre muito atenta a não diminuir os seus lucros. 
Guerras religiosas, insanas, sempre em nome de Deus, pertença Ele a esta ou aquela crença, têm assolado a humanidade desde os seus primórdios. 
O que é de se estranhar é que esse fanatismo, fruto da intolerância e da ignorância, não tenha conseguido absorver nada do mundo atual, com sua tecnologia de ponta, onde somente o pluralismo como seita poderá sobreviver. 
Nada mais triste do que ver todo esse ódio apenas porque as pessoas pensam e sentem diferentemente o mundo. 
Afinal, qual o inimigo que nos ronda? Qual a sua cara e os seus propósitos? 
Essas são perguntas que todos nós nos fazemos. A resposta aponta para uma só: a manutenção da miséria cultural enorme em quase todo o planeta. 
Em muitos países a religião se mistura ao governo, e as consequências disso são desastrosas. 
O fanatismo é estimulado para que súditos continuem vítimas felizes de seus algozes. 
A caça desenfreada na Europa aos muçulmanos, como apregoam alguns partidos centro-direitistas, apenas aumentará o ódio entre as raças e as diversas religiões. Há anos vimos assistindo a este filme. 
A proposta, primeira no gênero, de um grande encontro entre chefes de estado de vários países, filósofos, pensadores de diversas etnias, chargistas, enfim, cabeças habituadas a pensar em todo o planeta, me parece o único caminho para lidar com essa avalanche de insanidade que sacode a humanidade. 
O inglês está chamando isso de “brainstorm”, ou seja, uma tempestade mental necessária para encarar novas ideias, novas opiniões, novas formas de lidar com o fanatismo crescente de diversos grupos. 
Talvez, revalidando os valores civilizatórios de todos os países, num firme propósito de desvincular as tarefas do estado  dos problemas religiosos. 
Enquanto não houver essa dicotomia, novos e muitos inocentes “Charlies” serão brutalmente ceifados. 
Claro, o uso da força é necessário no momento da agressão, mas, sozinha, ela não trará a paz que todos almejamos. 
Sem ela, a existência perde todo o seu sentido.

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