Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Classe média destruida, por Gabriel Novis Neves

14 de jan de 2015

Classe média destruida, por Gabriel Novis Neves


Classe média destruída 
É de se lamentar um sistema de governo que não prioriza o bem-estar de sua classe média. 
A classe mais abastada segue seus próprios valores, e simplesmente não segue algumas regras preestabelecidas. E sobrevivem muito bem em meio ao caos. 
Sua cadeia mantenedora é diversificada e foge aos padrões habituais: voam em jatinhos particulares, fazem viagens megalômanas, usam roupas grifadas, frequentam restaurantes famosos, possuem carros milionários, moram em mansões cinematográficas e possuem hábitos excêntricos. 
Por representar o esteio de uma sociedade, a classe média, ao contrário, é a responsável pela ingestão de esperança que nutre os menos abastecidos. 
Seus valores são os tradicionais e seus dogmas ajudam a carneirada a acreditar que o trabalho compensa, impedindo assim que a desordem e o crime sejam desencadeados.  
Aliás, essa descrença generalizada já está mostrando seus efeitos com o aumento da violência por todo o país. 
Essa parcela da população, empregadora imediata dos serviços do dia a dia, como por exemplo: empregadas domésticas, cabeleireiros, manicures, comércio de pequenos utensílios, restaurantes, serviços de lazer, é a que mantém atuante toda essa cadeia por ela nutrida. 
Aqui entre nós, como na maioria dos países da América Latina, vemos o homem comum completamente desencantado, descrente de uma condição justa de vida e com uma única visão de futuro, a de se mudar para um país mais promissor em que o seu trabalho possa ser mais valorizado e seu salário menos aviltante. 
O êxodo de profissionais liberais, os mais atingidos por todas as crises desse sistema corrupto e injusto que nos aflige, é cada vez maior, e visa a fixação em países mais sérios e que respeitem mais os seus cidadãos. 
A leitura de jornais aqui na terrinha tornou-se um tóxico matinal dos mais poderosos. O mesmo acontece com as mídias televisivas. 
As diferenças sociais, cada vez mais gritantes, aniquilam até as mentes mais otimistas. 
Detentores dos altos poderes decretam em causa própria, despudoradamente, salários estratosféricos, enquanto o povão é massacrado por um sistema cruel de empobrecimento, com salários incompatíveis para se levar uma vida com um mínimo de dignidade. 
Afinal, estaremos ainda em pleno século XXI em um sistema de capitanias hereditárias em que as glebas foram divididas irmãmente entre os poderosos?  
Os que menos trabalham, os que vivem da mais valia, são os que menos contribuem para a riqueza de todos. 
Onde andam os estudos para taxação das grandes fortunas e das grandes heranças?  
Claro que essas taxações não interessam a classe endinheirada, já que o planejamento de corrupções, cada vez mais vultosas, visa à fabricação de um número cada vez maior de bilionários. 
O grande economista francês Thomas Piketty denuncia, em seu mais recente livro, minuciosamente, todas as causas dessa grande injustiça social que assola esses novos tempos cruéis da humanidade. 
O mais absurdo de toda essa situação é perceber que a sociedade, na sua esmagadora maioria, aceita, sem se indignar, este Status Quo
Estaremos todos anestesiados, inclusive essa juventude bronzeada que tanto embeleza o nosso país?  
Ou estaremos todos acomodadamente à espera da notícia de mais um escândalo de assalto a uma nova instituição pública poderosa, já que a mais importante foi totalmente dizimada?  
Triste ver toda uma população desnorteada e envergonhada perante o mundo.  
Que se acautelem os governantes, pois, população sem esperança é população à beira da desordem e da anarquia! 
Preocupa-me pensar que os que ora estão usufruindo dos louros do poder não se sensibilizem com o que está acontecendo com a boiada adormecida. 
Será que a simples ascensão à classe “C” de uma pequena parte dos desvalidos lavará a alma da parcela restante?  
O tempo dirá.

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