Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Fuzilamento de um conterrâneo, por Gabriel Novis Neves

29 de jan de 2015

Fuzilamento de um conterrâneo, por Gabriel Novis Neves

Fuzilamento de um conterrâneo 
Acaba de ser executado por fuzilamento o primeiro brasileiro na Indonésia - umas das sessenta nações que ainda mantém esse tipo de pena de morte. 
Realmente, entrar num país com treze quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta, não pode ser considerado um ato banal. 
Para nós aqui na terrinha essas coisas passam batidas e, a rigor, fazemos vista grossa para essas filigranas, já que o mercado das drogas, bem como o das armas, são os mais rendosos no mundo. 
Nossas fronteiras são mal vigiadas e com frequência figuras do alto escalão aparecem beneficiadas por esse comércio robusto. 
Temos dificuldade de entender que países onde as leis são obedecidas se comportem diferentemente. 
O rapaz em questão, oriundo de família da alta classe média brasileira, aliás, com bastante influência política nas décadas de cinquenta e sessenta, estava preso na Indonésia desde 2004, tentando se livrar da pena de morte, solução adotada pelo país para esse tipo de crime. 
Eu, pessoalmente, sou contrário à pena de morte, pois não acredito na justiça dos homens. Ninguém tem o direito de tirar a vida de seu semelhante. 
Consigo entender que países como a Indonésia, de índices baixos de criminalidade, queira combater a entrada de drogas para a sua população, o que já vem ocorrendo de forma preocupante. 
Apesar de toda comoção que nos causa perder um brasileiro no auge de sua vitalidade de forma tão cruel, isso não deve chegar ao nível de desentendimento entre os dois países, como querem sugerir as nossas autoridades diplomáticas. 
Afinal, leis existem para serem cumpridas, a menos que optemos por um estado anárquico cujas consequências bem sabemos quais são. 
Mesmo solidários com a família desse rapaz, importa que não transformemos determinações legais de outros países em crises internacionais graves. 
Não mostramos tanta comoção quando sabemos que a nossa polícia é uma das que mais mata no mundo. 
Como as populações da periferia, menos favorecidas, são as mais atingidas, nunca vi nenhuma figura do poder estabelecido se insurgir contra essas injustiças que, de tantas, já nem comovem mais a população. 
É bom que façamos essa reflexão antes de nos arvorarmos em defensores da ética e dos direitos humanos enquanto ainda permanecemos bem distanciados disso em nossa própria pátria. 

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