Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Metade do mês, por Gabriel Novis Neves

22 de jan de 2015

Metade do mês, por Gabriel Novis Neves

Chegamos à segunda metade do primeiro mês do Ano Novo e os nossos desejos de dias melhores já desapareceram inundados pelos velhos problemas. 
Terrorismo internacional, intolerâncias religiosa, econômica e cultural são as matrizes desse precoce desencanto. 
Os poucos países ricos parecem estar atônitos e sem saber o que fazer ante a ameaça do inimigo invisível. 
Aqui na terrinha tudo parado até o carnaval. Nada acontece, já que, como bons tupiniquins, estamos nos preparando para mostrar ao mundo a nossa alegria contagiante... 
O pior é que a carneirada entra nesse espírito e aproveita para cortar todos os poucos laços morais que ainda conseguem aprisioná-la. 
Os turistas, encantados com a baderna, ajudam a aumentar o faturamento da ex-Cidade Maravilhosa. 
O governo, sem dinheiro, inventa mil e uma desculpas para justificar a sua incapacidade de gestão. 
Corte no orçamento, principalmente naquele destinado à educação e à saúde. Demissão em massa de pequenos servidores. 
A justificativa de “economizar” não procede. Nenhum dos trinta e nove ministérios desapareceu do “organograma da governabilidade”, assim como em alguns Estados as secretarias ornamentais e ociosas não impediram a criação de novas. 
O aumento salarial para os chamados servidores intocáveis do primeiro escalão foi substancial. 
A inflação disparou, com taxas dos serviços públicos nas alturas. 
As despesas com o mercado diminuíram e as mordomias continuaram. 
O resultado das provas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) é de envergonhar qualquer republiqueta, porém, não causou surpresa a ninguém. 
Na prova de redação mais de quinhentos mil alunos obtiveram a nota zero. 
O mesmo fenômeno de rendimento sofrível comparando ao ano anterior foi observado em outras disciplinas, como a da matemática. 
A educação brasileira vai de mal a pior, e o jornal Folha de São Paulo,em minúscula nota, informa que a tesoura federal fez uma grande poda nesses recursos essenciais ao desenvolvimento do país. 
A saúde pública está desmantelada e a violência fora de qualquer controle. 
Novos governadores dizem ter encontrado cofres vazios, sendo que nos Estados sede da Copa dos 7X1, o legado é impagável. Somente em longo prazo, e olhe lá! 
O país está envelhecido e paralisado. 
Carnavalização total e irrestrita. 
Haja antidepressivo para suportar o que nos resta de 2015! 

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