Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: A volta, por Gabriel Novis Neves

20 de fev de 2015

A volta, por Gabriel Novis Neves


A volta 
Neste início de ano, em que procuramos nos afastar do lugar de trabalho para um descondicionamento das árduas tarefas do cotidiano, em geral escolhemos a distância como refúgio. 
É uma tentativa de “recarregar as baterias” para enfrentar novos desafios. 
A volta para a rotina transmite a alguns seres viventes a estranha sensação de uma batalha perdida. 
O sabor é mesmo que o de uma derrota ao lembrar que teremos de trabalhar os primeiros quatro meses do Ano Novo para encher o caixa do governo pagando impostos, taxas e uma enormidade de obrigações. 
Essa perspectiva não é condizente com os poucos dias de lazer, transformando o retorno das férias em um imenso pesadelo de compromissos financeiros inadiáveis. 
Se a rotina faz mal a nossa saúde física e mental, a volta à realidade às vezes é um desastre. 
Como funciona o reflexo condicionado observado pioneiramente pelo russo Pavlov! 
Fico a pensar que deixar a rotina, mesmo por alguns dias, não seria uma temeridade, por nos colocar fora da habitual zona de conforto criada por nós. 
Mesmo usufruindo dias maravilhosos sob todos os aspectos, a volta é capaz de apagar em segundos essa alegria de um tempo bem vivido. 
Volta é regressão e toda regressão é dolorosa emocionalmente. 
Tenho dúvidas se esse descanso de longas viagens acrescenta mais mudanças nos nossos hábitos que pequenos deslocamentos pelas cercanias em que moramos. 
Férias atuais têm conceitos nem sempre entendidos por muitos. 
Conhecer novos destinos, pessoas, culturas, sem a rubrica imposta pela moda é um investimento humano prazeroso e rico em ensinamentos. 
Etiquetas estragam qualquer tipo de divertimento, além de neurotizar o planejamento e execução de uma viagem de férias sob a ditadura de horários e programas. 
Nesses casos a volta é tediosa, embora seja o melhor momento desse modelo de férias tabeladas. 
“Férias é não ter nada que fazer e ter todo o dia para fazer isso”. Robert Orben, humorista, roteirista, editor.

Nenhum comentário: