Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Nepotismo, por Gabriel Novis Neves

22 de mar de 2015

Nepotismo, por Gabriel Novis Neves

Nepotismo
Existe no Brasil uma lei que proíbe o nepotismo - nomeação de parentes para cargos políticos.
Entretanto, não foi possível exterminar este mal entre os privilegiados do poder, que inventaram o imoral, mas, legal, nepotismo cruzado.
É o “toma lá, dá cá” no serviço público de altos salários comissionados. “Você nomeia os meus na sua jurisdição e eu acolho os seus na minha área.”
Isso somente é possível porque existe o loteamento do poder, prática executada com “sucesso” num país com trinta e nove ministérios e não sei quantas estatais com centenas de diretorias.
Além do nepotismo cruzado, existem muitos outros produtos da criatividade dos nossos líderes para burlar a lei em benefício próprio, que a nossa vã inteligência não alcança.
Seria interessante lembrar o nepotismo dos convencionais partidários, que são aqueles que escolhem na sua agremiação os futuros candidatos aos cargos eletivos.
São dotados de poderes de decisão que interferem no futuro de cidadãos.
Que vergonha!
São clãs das famílias que controlam com mãos de ferro a sigla partidária. Até primo de terceiro grau e cunhado, que não é parente, segundo Brizola, estão inscritos com os serviçais de todos os níveis na hierarquia social.
Sendo assim, e sempre foi assim, então está tudo certo, segundo os comodistas que não suportam mudanças, a tal da escolha democrática do candidato, que nasce com vício de origem.
Aparece então o pacote de personalidades para o distinto público escolher.
O exercício do poder não deve ser esse osso duro de roer, como apregoam, mas, uma deliciosa merenda cheia de incentivos generosos dos cofres públicos jogados nos Fundos Partidários, com aquele mimo dos segundos da televisão tão valorizados na bolsa de valores.
“Quem ajuda a eleger, ajuda a governar”, é o mandamento final de sedução para os abnegados prestadores de serviços sociais.
É o código explícito de uma boquinha no próximo governo.
Diante dessa inaceitável realidade, é urgente uma emenda constitucional (só possível entre os utópicos) proibindo o nepotismo entre convencionais partidários.
Até lá continua a vigorar o Estado Curral. 

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