Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Economia clandestina, por Gabriel Novis Neves

29 de abr de 2015

Economia clandestina, por Gabriel Novis Neves


Economia clandestina 

Esse tipo de economia fica muito evidente durante as festas momescas. 
Nesse ano a Escola de Samba Beija-Flor se consagrou vencedora dos desfiles de carnaval na Marquês de Sapucaí. 
Foi grande a polêmica através das redes sociais em função daquela agremiação ter sido financiada pela República da Guiné Equatorial, uma das maiores ditaduras africanas. 
Acontece que o Brasil mantém relações comerciais com esse pequeno país extremamente rico em petróleo (quatrocentos mil barris/dia) e madeira  e de uma população que vive em absoluta penúria. 
A família dos mandatários, que está há vinte e nove anos no poder, se reelege automaticamente com 99.5% dos votos. 
Apesar de tudo isso, as grandes potências mundiais, tais como Estados Unidos, França e China,  continuam mantendo relações comerciais com esse rico pobre país, logicamente isentos dos critérios de justiça lá praticados. 
O “Deus Dinheiro” não costuma se interessar por esses detalhes humanitários. 
A comunidade da Beija-Flor, dentro desse espírito de isenção crítica, foi agraciada com recursos que propiciaram um dos mais belos desfiles de sua história. 
Ao contrário de alguns comentaristas mais abalizados, não vi no enredo uma propaganda da cruel ditadura, mas sim, uma tentativa de integração de todas as culturas africanas, inclusive a nossa,  nos primórdios da nossa civilização. 
Há que se parar com essa dicotomia hipócrita que procura separar o poder público das figuras da contravenção do jogo do bicho que há décadas  abrilhantam os carnavais. 
Somos dos únicos países do mundo a não regularizar os jogos de azar, mas convivemos cordialmente com os seus propiciadores, que são fortemente aplaudidos pela população e até pelos poderes constituídos durante os desfiles carnavalescos. 
A grande maioria das oitenta e quatro escolas existentes é dirigida por contraventores  bastante conhecidos por todos e, como pertencentes ao país das contradições, são execrados e mantidos na ilegalidade  fora das festas momescas. 
Urge que sejam legalizados todos os jogos  de azar através de leis sérias e eficazes e que se encerre de vez esse ciclo hipócrita que apenas nos envergonha como país que se pretende civilizado.  
Só o carnaval  gerou no Rio de Janeiro um montante de dois bilhões de reais, trazendo para a cidade um milhão de turistas em menos de cinco dias. O gasto da festa foi calculado em aproximadamente oitenta milhões de reais. 
Portanto, muito mais positivo que o da famosa Copa do 7x1, conforme dados divulgados na época. 
A partir de 1983, com a inauguração dos sambódromos nos diversos estados brasileiros, apequenou-se o carnaval das ruas, razão primordial das festas. 
No ano 2000 foi criada a Sebastiana Carnaval de Rua (Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul)  que, apenas no Rio de Janeiro, somam quinhentos. 
Tal como nas escolas de samba, esses blocos conseguiram atrair de volta às ruas todas as classes sociais, principalmente a média, até então afastada. 
Uma vez legalizados  os jogos que incrementam a nossa economia já não mais teremos a economia clandestina do carnaval, e sim, a verdadeira distribuição para todos os demais setores, inclusive para a nossa tão deficitária saúde. 
Todos se beneficiarão com essas medidas, e as polêmicas sobre a origem  da grandiosidade dos desfiles deixarão de existir. 
Acorda Brasil! Abaixo a Hipocrisia!

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