Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Obesidade e fome, por Gabriel Novis Neves

11 de jun de 2015

Obesidade e fome, por Gabriel Novis Neves

Obesidade e fome 
Lá se vão os tempos em que o obeso era visto tão somente como portador de apetite voraz. 
Com o crescimento absurdo da obesidade mundial passou-se a indagar até que ponto haveria relação entre aquela magreza estigmatizada pelos passadores de fome crônica e esses altíssimos índices de obesidade entre, principalmente, os menos abastados. 
Isto ocorre exatamente em virtude desses últimos optarem por alimentos mais calóricos, industrializados, tipo “fast food” e muito mais baratos. 
Por não se alimentarem corretamente através de uma ingestão maior de frutas, legumes, proteínas animais, tornam-se rapidamente presas fáceis para a sedutora propaganda dos enlatados e industrializados, pobres em poder nutritivo, mas ricos em saciar a fome, e rápidos e fáceis de serem consumidos. 
Aí estariam incluídos pães, massas, enlatados de todo tipo, refrigerantes, sucos feitos com essência de frutas, enfim, todos facilmente encontrados para um consumo rápido e prazeroso. 
Por outro lado, as diversas mídias nos atiram todos os dias as imagens da pobreza, principalmente nos países africanos, com suas populações esqueléticas, em franco estado de  inanição que precede a morte por fome crônica. 
Dessa forma, é preciso que as autoridades internacionais de saúde se conscientizem desse novo  perfil da fome, travestido de obesidade. 
Como a obesidade leva a várias outras patologias, tais como o diabetes, a hipertensão arterial, as cardiopatias, há que se divulgar alertas dobre as distorções alimentares que estão ocorrendo, inclusive as suas causas. 
Infelizmente os governos de países menos desenvolvidos, geralmente mancomunados com as poderosas indústrias de alimentos, não têm interesse em divulgar para a população os riscos de tamanhas distorções. 
Propagandas dicotomizadas entre vender um corpo magro pela indústria da beleza e suas rendosas academias, se contrapõem ao incentivo a um consumo maciço de enlatados e alimentos industrializados. 
O ser humano, perdido e tumultuado da atualidade, não consegue digerir as propagandas antagônicas que o rodeiam. 
Tudo isso sem falar na onda gastronômica, que é o filão da vez. 
É muita contradição para pouco discernimento... 
Não estará sendo a obesidade o novo perfil da fome disfarçada no universo?

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