Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Protocolo de intenções, por Gabriel Novis Neves

11 de jul de 2015

Protocolo de intenções, por Gabriel Novis Neves

Protocolo de intenções 
Quando não se tem certeza que um objetivo será alcançado costumamos assinar um documento fantasia chamado “Protocolo de Intenções”.
Todos os agentes públicos onde essa prática é mais utilizada conhecem muito bem o que isso significa em termos pragmáticos, quando centenas deles são festivamente celebrados, muitas vezes para aliviar uma pressão política e social existente. 
Com o passar do tempo tudo é esquecido e nada concretizado. 
Recentemente, uma delegação chinesa esteve no Brasil, quando foram assinados dezenas desses protocolos com o governo federal e alguns estaduais. 
A propaganda oficial passou à população a falsa imagem que os trilhardários orientais chegaram com malas de dinheiro para investimentos no nosso país. 
Áreas prioritárias seriam atendidas, como construções e pavimentações de estratégicas estradas ao escoamento dos nossos produtos. 
Ferrovias transoceânicas, pontes, aeroportos e portos, além da compra de centenas de jatos da Embraer e ações das nossas principais estatais, como da fragilizada Petrobras. 
Bilhões de dólares seriam despejados em nosso território, em momento de grave crise econômica com PIB em queda, desemprego na indústria, recessão em todos os setores das nossas atividades produtivas, com repercussões sociais insuportáveis.
Greves por melhores condições de trabalho e salários nos serviços essenciais como educação, saúde, segurança, transportes, pipocam em toda a nação, exigindo soluções imediatas e corretas. 
A falta de credibilidade dos nossos governantes atingiu patamares impensáveis, e a ausência de transparência nas suas ações sonegou da nossa gente a informação de que esses recursos dos projetos orientais serão financiados pelo nosso banco de desenvolvimento (BNDES) a juros subsidiados. 
Um negócio da China para os chineses, cuja moeda forte só terá vantagens sobre o nosso dinheiro podre. 
Projetos serão elaborados, aprovados e, finalmente, o momento crucial da liberação dos recursos. 
Quando isso acontecerá, se acontecer, ninguém sabe informar, pois vivemos no país onde ninguém sabe de nada. 
Até quando iremos fazer esse tipo de administração de inventar soluções rápidas em tempo de crise financeira?

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