Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Chuva ácida, por Gabriel Novis neves

5 de ago de 2015

Chuva ácida, por Gabriel Novis neves

Chuva ácida 
Tudo que vemos, ouvimos ou sentimos é imediatamente registrado pelo nosso cérebro. 
É tamanha a intensidade com que estes estímulos nos afeta, que durante o sono passamos a processá-los sob a forma de sonhos. 
Apesar de todo esse mecanismo ainda não estar totalmente elucidado, o que se sabe é que se trata de um complexo mecanismo cerebral com o intuito de metabolizar e equilibrar as nossas emoções. 
Dessa forma, não deveríamos nos preocupar tanto quando, a partir de certa idade, fazemos uma espécie de processo de seleção da memória, passando a apagar o que tem pouco interesse para nós. 
Logo imaginamos que estamos ficando reféns de uma doença degenerativa (Alzheimer), o que, na maioria das vezes, não é verdadeiro. 
Atualmente, atordoados pela instabilidade política e econômica que vivemos, e aliadas às notícias alarmantes vindas dos astrônomos de que o mês de agosto terá a maior aproximação entre os planetas Terra e Marte, as preocupações com o simples viver têm aumentado.  
Tenho ouvido de amigos o relato de uma grande piora na qualidade do sono. Um deles, inclusive, me falava da maior incidência de pesadelos, todos carregados de muita angústia. 
Num dos últimos que ele teve, acordava sobressaltado por bolas de fogo que caiam da abóbada celeste, transformando-se em chuva ácida ao atingir o solo, alarmando assim todos os habitantes do planeta.
Meu mundo onírico logo estabeleceu uma metáfora muito clara de tudo que ouvi. Não me lembro nesses oitenta anos de vida ter vivido um momento de tanta instabilidade coletiva. 
As pessoas que detêm o poder se ensimesmaram em seus próprios umbigos, totalmente ausentes da responsabilidade com os cargos para os quais foram eleitas, num profundo desrespeito aos eleitores que representam.  
Sentimo-nos todos num país acéfalo, abandonado à sua própria sorte, sujeitos a chuvas e trovoadas.  
Ao contrário, tentam salvar seus privilégios num jogo sórdido de vaidades e de consequências imprevisíveis. 
Nossas instituições em nada se assemelham ao que delas esperamos. Os três poderes atropelando-se mutuamente. 
Os nossos jovens, outrora tão atuantes, desapareceram do cenário político. Uma crise econômica de dimensões assustadoras. Inflação na casa dos dois dígitos e salários aviltados, comércio e indústria desabando.  Desemprego galopante. 
Voz unânime entre os cientistas políticos, filósofos e pensadores, é de que o momento é altamente preocupante e, se não for tratado com a responsabilidade exigida, poderá trazer a temida chuva ácida.  Dessa vez não pelas razões telúricas sonhadas. 
Como um otimista inveterado, sigo acreditando no bom senso de alguns   poucos detentores do poder que, aliás, sempre existiram, ainda que em nossas piores crises. 
Que as nossas noites voltem rapidamente a ser povoadas por sonhos de paz e de tranquilidade! 

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