Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Pânico financeiro, por Gabriel Novis Neves

1 de out de 2015

Pânico financeiro, por Gabriel Novis Neves

Pânico financeiro 
A situação do país caminha a passos largos para o pânico financeiro, tudo em função das políticas equivocadas que caracterizaram os últimos anos de um governo populista, ambivalente no seu âmago. 
Como sempre nessas circunstâncias, a corda arrebenta do lado mais fraco - e já começa a tirar o sono do funcionalismo público e dos seus miseráveis aposentados e pensionistas, todos ameaçados pelo congelamento de seus parcos salários. 
Ninguém menciona corte nas pensões astronômicas do legislativo ou do judiciário e, muito ao contrário, são cogitados novos aumentos, cada vez maiores para as castas ditas intocáveis, mesmo quando agoniza o sistema financeiro como nos dias atuais. 
A possibilidade, ainda que mínima, de tachar os mais abastados, não chega sequer a entrar em qualquer cogitação, pouco importando a corrente ideológica à qual esteja pseudovinculado o governo. 
Taxação de grandes fortunas, nem pensar, já que a meta do grande número de políticos do momento é chegar às castas privilegiadas, ainda que para isso seja necessário abdicar de princípios éticos e morais que deveriam pautar todos aqueles que se propõem a defender o interesse público.
Essa a meu ver é a grande contradição dos governos populistas, que transformam os seus discursos de justiça social em práticas antagônicas, privilegiando sempre o grande capital, acenando com migalhas aos menos favorecidos e achatando a classe média, geralmente a maior vítima de políticas desastrosas.
Como fazer programas sociais eficazes apenas em função do aumento progressivo dos menos abastados? 
Como manter bolsas família e tantos outros benefícios necessários apenas à custa de uns poucos? 
Os altos lucros do setor bancário nunca foram afetados, muito menos a possibilidade de taxar as grandes fortunas. 
A classe média, pagante de todo esse ônus, acaba de estourar, encontrando-se já em estado de inanição. 
Ela, na ânsia de não empobrecer, e fascinada com o aceno de se tornar rica, cada vez trabalha mais e, pacificamente, vai absorvendo os impostos cada vez mais altos que a aniquilam. 
Isso é histórico e é observado por quem se dedique a ler um pouquinho sobre como funcionava a economia nos séculos XIX e XX, o mesmo cruel repeteco. 
Esmagar ainda mais a classe média - como está sendo proposto – é o mesmo que pulverizar o próprio sistema. 
Está estabelecido o pânico financeiro e, por conseguinte, o pânico em todas as demais áreas. 
Que o patriotismo de algumas cabeças pensantes consiga reverter esse quadro! 
Precisamos acreditar nisso.

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