Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Solidariedade, por Gabriel Novis Neves

10 de dez de 2015

Solidariedade, por Gabriel Novis Neves

Solidariedade 
É muito bonito este substantivo feminino, mas, quando empregado em determinadas construções fraseológicas, o seu sentido moral de vínculo e ajuda mútua, desaparece. 
Leio em um blog que o Ministro de Aviação Civil, em solidariedade ao vice-presidente da República, avisou ao seu partido PMDB, da base de sustentação do governo, que vai deixar o cargo. 
Trocando em miúdos: deixa um dos ministérios mais importantes dos trinta e nove existentes para apoiar o seu vice. 
O seu desprestígio chegou ao ponto de não ser recebido pelo Ministro Chefe da Casa Civil, tendo protocolado o seu pedido de demissão. 
Em um momento em que a nação necessita de união para sair da imensa crise política que se meteu, tal acidente político acontece, agravando ainda mais a nossa situação. 
O governo fragilizado perde uma peça importante nesse difícil tabuleiro de xadrez que é a política de interesses pessoais. 
Alegou o demissionário ministro sua solidariedade ao constrangimento sofrido pelo seu Vice-Presidente da República com a administração do Palácio do Planalto diante de uma das maiores crises políticas vividas por este país. 
É uma baixa importante para o governo em momento delicado com relação ao futuro da nossa nação. 
Ficou claro o descontentamento de um dos auxiliares mais próximos da Presidente, e que servia de ponte com o seu vice. 
Como ficou bem claro nas últimas eleições presidenciais - no embate político vale tudo para a conquista do poder, menos perder. 
As Instituições deste país estão funcionando plenamente e a imprensa não está censurada. 
Vivemos em plena democracia, com uma grave crise política repercutindo de uma maneira avassaladora na nossa economia. 
A indústria está sendo desmantelada. O comércio fechando suas portas (oficialmente 64.5 mil estabelecimentos comerciais desde outubro de 2014, até o momento), o desemprego aumentando e nossos salários sendo devorados pela inflação em curva ascendente. 
O Brasil não preparou lideranças para situações políticas adversas, e a pergunta que nos incomoda e nos deixa sem resposta é: substituir um governo fragilizado por quem? 
Nossa gente não confia em nossos políticos. Trocar gestor por trocar, a tendência é piorar as coisas por ausência de líderes ou grupos com credibilidade. 
Temos de ter paciência para que, sem ruptura do estado de direito, o tempo consiga, com as medidas aprovadas pelo Congresso, melhorar os nossos dias. 
Sem solidariedade não conseguiremos reconstruir esta nação.

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