Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: França, por Gabriel Novis Neves

9 de dez de 2015

França, por Gabriel Novis Neves

França 
A intolerância de parte do mundo rotulada de Estado Islâmico não consegue digerir os padrões de liberdade de um dos mais desenvolvidos países da Europa.
A França, o país mais laico do mundo, com a sua imensa liberdade de expressão, de opções sexuais e religiosas, da miscigenação presente entre as várias etnias, tem no momento a sua soberania atacada por fanáticos religiosos. Já causaram a morte de 129 pessoas e mais de 300 feridos. 
Pelas mais diversas causas esse fanatismo vem crescendo e ameaçando, não só a Europa, mas todos os países que tentam conviver com políticas laicas. 
Incrível como esses assassinos tentam destruir toda uma sociedade que tenta conviver com a alegria, o prazer e a ausência de preconceitos. 
As áreas de ataque em horários muito próximos teria a finalidade, inclusive, de dificultar a capacidade de atendimento nos hospitais e a mobilização policial. 
Não por acaso os três alvos de ataque foram: uma casa de música, um estádio de futebol e dois restaurantes bastante populares. 
É como se um estilo de vida fosse uma agressão imperdoável para pessoas incapazes de suportar as diferenças. 
O presidente francês, o socialista François Hollande, convocou as casas do senado e da câmara para uma reunião em Versailles, quando iniciou seu emocionado discurso de quarenta minutos num brado de que “a França está em guerra”. 
Trata-se de uma guerra contra paixões, e não, civilizações ou exércitos e, portanto, difícil de ser contida pelo uso de armas ou ataques aéreos. 
Foram reafirmadas as proposições ditadas pela Revolução Francesa de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” e, ao final do encontro, foi cantado por todos os presentes o hino nacional francês, a Marselhesa. 
Aliás, o povo francês tem dado um show de solidariedade ao recolher em suas casas imigrantes desarvorados e doação maciça de sangue para os feridos e hospitais repletos de voluntários. 
O que parece mais lúcido é que se iniciem negociações diplomáticas intensas, não só na Síria, mas nos vários outros países que já lidam no seu cotidiano com a violência e com a crueldade por parte de jovens que se deixam contaminar pelos ideais do mundo islâmico. 
O mundo ocidental não teve a capacidade de prever o quanto suas políticas colonialistas, durante tantos séculos, gerariam tanta revolta nos filhos de imigrantes de vários países. 
Depois de adultos, seriam franceses, sempre com a sensação de descriminados e injustiçados pelo sistema, quase todos moradores das periferias. 
O fato real é que armas pesadas, fronteiras fechadas, muros aramados, não serão suficientes para derrubar ideologias profundamente arraigadas. 
Que políticas serão necessárias para que esses fuzis de assalto não circulem livremente? 
Há uma necessidade eminente do controle de entrada dessas armas, de onde quer que elas venham. 
Um mundo em que predomina a desigualdade social, dificilmente terá condições de paz e tranquilidade em curto prazo, infelizmente. 
Propagandas maciças televisivas insistem que atentados como esse não deve coibir as pessoas, e que elas devem continuar saindo e mantendo a “Cidade Luz” como um símbolo mundial de vida, de diversão e de beleza. 
Não esquecer que o turismo é parte fundamental da economia francesa.

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