Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Quem explica? Fábula fabulosa de Valéria del Cueto

30 de jul de 2016

Quem explica? Fábula fabulosa de Valéria del Cueto

Rio Metro Em breve uma novidadeQuem explica?

 Texto e foto de Valéria del Cueto
“Canguru no Brasil” pede na busca do seu google empoderado, Pluct, Plact, o extraterrestre empoleirado na Terra, sem força propulsora para picar a mula e ir cantar em outra freguesia interplanetária.

Ficou sim e não está reclamando. Gostou da Copa do Mundo de 2014. Da vibe da festa e do encontro dos povos. E era apenas um esporte com competições espalhadas por todo o país. Como será o evento com dezenas de modalidades e atletas de centenas de países do mundo?

Dentro do possível, portanto muito mais que o usual, já que conta com ferramentas sofisticadas, acompanhou  a preparação do evento. Por essa e outras razões, levando e trazendo notícias para a amiga cronista, reclusa voluntária das crueldades do mundo, acabou entrando no espírito olímpico.

Andava pela cidade observando o movimento, fazendo previsões e cálculos sobre deadlines para a entrega dos equipamentos. Não se enganou quanto aos resultados. Tá tudo indo, meio assim. Com os prazos iniciais prejudicados, mas aquela boa vontade de deixar tudo no jeito “para quando os jogos começarem”. Como se os atletas fossem chegar no dia da competição. Não precisassem se adaptar ao clima, ao local, depois de se recuperarem das viagens. Alguns, vindos do outro lado do mundo!

E voltamos para a curiosidade galáctica de Pluct, Plact. Onde encontrar um canguru no Brasil, como prometera o alcaide Eduardo Paes à delegação australiana, após a recusa de encarar o minha casa minha vida da Vila Olímpica? Quem botaria a cara prometendo já na largada, algo que não poderia cumprir? Calcula-se cartesianamente que, sim, há um canguru à mão para enfeitar a entrada do alojamento australiano. Tipo assim, ali, como a onça da tocha...

Foi nessa busca que Pluct Plact descobriu que não era o único a procurar cangurus no Brasil. Lá nos alfarrábios entendeu o impedimento de tal evento. Também descobriu que, não tendo acesso ao original,  canguru aqui é só um tipo de equipamento para carregar bebês junto ao corpo. Apareceram referências à geração canguru, de “jovens” de 25 a 34 anos que não querem sair da casa dos pais. Conheceu também a Olimpíada Canguru de Matemática, uma afinidade com a Austrália, já que a competição começou por lá e hoje se espalha por 52 países!

Nesse meio tempo, a fila andou... Eduardo Paes pediu desculpas pela tirada, jogando a culpa no “jeito carioca”. A equipe australiana resolveu pegar mais leve. Voltou para os apartamentos abandonados enquanto obras emergenciais eram realizadas por um batalhão de trabalhadores irregulares. Mas esforçados e felizes com os dias de ganhos extras.

O happy end foi com mais uma “atitude” de Paes. Deixou a equipe australiana de hóquei esperando meia hora na entrega da chave da Vila Olímpica para a delegada da Austrália. A que batera de frente com a desorganização imperante. “Umpolished” foi o termo, registrado nos anais da máquina interplanetária, utilizado pelo próprio para classificar o imbróglio. Então, por definição, exime-se a culpa do “jeito carioca de ser” que costuma ser malandreado, malemolente, mas não grosseiro. Ganhou de presente um canguru de pelúcia, com luvinhas vermelhas de boxe...

Tudo isso, Pluct Plact rememorava enquanto se deslocava pela orla de Copacabana, Rio de Janeiro,  para o outro lado do túnel, onde se encontra reclusa a cronista. Tinha seus motivos de alegria. Vira, na última visita, um lampejo de interesse da amiga pelo mundo exterior. Sim! Ela queria contato. Uma TV que cobrisse parte de uma parede de sua minúscula, porém segura, cela. Para assistir aos Jogos!

Ia atender a amiga. Mas havia uma condição. Que explicasse em minúcias o que era o único tipo de canguru não definido ou descrito em suas buscas e pesquisas nos mais poderosos bancos de dados.

Afinal que diacho era o tal de canguru perneta, tantas vezes citado e nunca explicado?

Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fábulas Fabulosas” do Sem Fim...
** Acompanhe o ensaio #valeRio2016

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