A vez de um até logo, Mato Grosso (espero)
Texto e foto de Valéria del Cueto
“Prometer e não cumprir é pior do que mentir”. O verso que abria
o jingle da campanha de Roberto França à prefeitura de Cuiabá, em 1988,
entranhou na minha mente e virou lema nas andanças da vida.
Aprendi a não fazer promessas vãs e descobri que as piores promessas
não cumpridas são as que fazemos a nós mesmos.
É para não cair de forma irrevogável no quesito missão não
realizada que deixei de lado as comemorações do dia do Santo Guerreiro, São
Jorge da Capadócia.
Vim correr atrás das palavras que compõem o último texto antes
da pausa da Revista Ruído Manifesto, prevista para começar no mês de maio. Não
há prazo definido de quando a aventura, idealizada pelo jornalista e escritor
Rodivaldo Ribeiro, deixará de ser uma “já teve” e voltará para quem sabe, ser uma
surpreendente “voltamos a ter” em Cuiabá.
Aprendi a teoria do “já teve” com a crítica de artes Aline
Figueiredo. Ela me ensinou ser esta uma particularidade da capital de Mato
Grosso que já teve de um tudo! “Já teve e, agora, não tem mais...” complementava
com uma enxurrada de exemplos irrefutáveis nossa maior expressão em análise e
reconhecimento do que há de mais relevante nas artes plásticas no centro-oeste
e no país.
Se o assunto é literatura, a expressão também se aplica e se
replica de forma acelerada.
Quando soube da parada da Ruído Manifesto, gentilmente alertada
pelo editor da coluna Crônicas do Sem Fim, Wuldson Marcelo, caiu a ficha da
perda de importantes disseminadores da cultura local nos últimos tempos.
A incrível iniciativa de Rodivaldo foi para o mesmo patamar do
Tyrannus Melancholicus, capitaneada pelo imortal da Academia de Letras
Mato-grossense, Lorenzo Falcão, contabilizei chorosa. Ao que Wuldson
acrescentou o Cidadão Cultura e a Revista Pixé, pilotada por outro imortal,
Eduardo Mahon.
Quer saber, leitor amigo? Está doendo. No meu caso lá se vão
duas fontes de distribuição do material do Sem Fim. Textos, fotos, vídeos...
Fiquei sem o piado do passarinho e espero que, momentaneamente, sem a Ruído.
Teimosa, sigo me manifestando!
Como sou otimista por natureza, enquanto espero que a pausa
sonora seja apenas uma pausa, tento racionalizar. Avalio (chutando) que esse
sumiço das publicações culturais seja apenas uma mudança de formato da maneira
de disseminar a criatividade, as ações e nosso conjunto alegórico cultural.
O que virá agora? Essa é a pergunta que não quer calar e, claro,
não sei responder enquanto converso, do outro lado do universo com o
responsável, depois de um embate de gigantes, pela criação da coluna Crônicas
do Sem Fim, Rodivaldo Ribeiro.
Repito de novo o que já contei em outro texto, mas faço questão
de registrar na crônica pré-pausa: eu, correspondente do Diário de Cuiabá para
assuntos carnavalescos cariocas; Rodivaldo, editor do caderno Ilustrado.
Véspera de carnaval, texto e fotos enviados ao jornal e um passarinho me conta
que os planos do responsável pelo caderno eram que a capa do caderno fosse um
festival de rock!
Tomei uma atitude que normalmente não faz parte do meu
repertório. Apelei às instâncias superiores. Afinal, meses de trabalho
produzindo fotos, acompanhando os ensaios técnicos na Sapucaí, não poderiam ser
desperdiçados assim.
Capa realinhada, expliquei os meus motivos ao editor do caderno,
certa de que ele não perdoaria a interferência. Lêdo engano... Rodivaldo deixou o Diário um tempo depois. Foi
para outro veículo e, mais tarde, lançou seu projeto, tão especial, a Ruído
Manifesto.
Qual não foi minha surpresa ao receber sua ligação com o convite
para publicar meu material na revista eletrônica? E mais: para manter uma
coluna, a qual ele deu o nome de Crônicas do Sem Fim, seguindo a linha inicial
das águas que percorro.
Fizemos planos, muitos planos que se perderam subitamente quando
ele partiu. Ângela Coradini primeiro e, depois, Wuldson Marcelo passaram a
fazer a ponte editorial da coluna.
Graças a Ruído Manifesto, os textos, fotos e vídeos que compõem
o universo do Sem Fim se expandiram chegando onde a revista fez barulho até
agora. E foi longe! Tanto no Brasil como no exterior.
AS boas notícias foram as de que “é uma pausa” e que o site
continuará ativo, com a íntegra do material publicado por todos nós que fizemos
parte do sonho de expandir a cultura brasileira para o mundo, partindo, (que
ousadia1) de Cuiabá, Mato Grosso...
A Ruído Manifesto, pausa, mas não se cala. Seus participantes
seguem o fluxo das águas, unidos pelos fios tramados nos últimos 9 anos na rede
idealizada com tanto amor e realizada por tantas mãos.
No meu caso, sigo no rumo do Sem Fim, acumulando afetos, textos
e imagens publicadas em outros veículos parceiros enquanto, como tantos,
aguardo de novo o chamado da Ruído, sempre manifesto...
*Valéria del Cueto é jornalista e fotógrafa. Crônica da série “Parador Cuyabano” do SEM
FIM... delcueto.wordpress.com

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