Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Conversas de rua, por Gabriel Novis Neves

8 de nov de 2014

Conversas de rua, por Gabriel Novis Neves

Nada mais informal e despretensioso do que uma boa conversa de rua. Ela é aquela que comumente chamamos de “jogar conversa fora”.
Muitas vezes saímos de casa sem disposição para conversar, principalmente quando vamos fazer nossa caminhada matinal e terapêutica.
No entanto, uma paradinha aqui, outra acolá, ouvimos as “novidades” contadas por novos e velhos amigos, acabando sentados numa roda de novidadeiros.
Impossível, após alguns minutos, não participar desse papo descontraído sobre o cotidiano e todo envolto com muito humor.
Nas conversas de rua tudo é permitido, menos colocar o nome da mãe, como bem nos ensina o “pobre marquês”.
No meio dessa conversação quanta verdade aparece!
Quando participo delas sempre volto para casa com muita munição para meus artigos.
No período eleitoral os assuntos são tão abundantes que ninguém tem vontade de abandonar o ambiente saudável da informação para não ficar com a sensação que estarmos deixando de aprender histórias verdadeiras, que só encontramos na tradição oral, pois elas jamais serão escritas.
Um amigo me disse, numa dessas conversas, que na sua fazenda as árvores floridas estavam muito bonitas.
Logo outro retruca dizendo serem elas imprestáveis.
Não suportando a observação negativa para a beleza que lhe transmitia tanta alegria, aciona seu moderno celular e mostra a todos a beleza da “inutilidade”.
Aplausos gerais! Todos elogiaram o capricho da natureza. Perguntaram então ao pragmático materialista se, por acaso, beleza não serve para nada na sua filosofia de vida.
Foi o sinal para que todos dessem as suas opiniões sobre beleza.
Alguém citou o velho adágio popular que “beleza não põe mesa”.
Depois de longos minutos de discussão sobre o tema, este foi bruscamente desviado para outro assunto. Peculiar neste tipo de conversa e que, na maioria das vezes sem nenhuma consciência disto.
Entretanto, no caso em questão, o assunto foi encerrado porque alguém pediu ao autor da frase - “árvore bonita não serve para nada” - (com certeza pensando na ausência dos seus frutos e qualidade da sua madeira para comercialização), se ele poderia mostrar uma foto da sua namorada.
Silêncio total. Todos no aguardo da foto, que não apareceu. Mas, em questão de segundos, o assunto foi mudado tranquilamente, sem traumas ou mágoas.
O tema em pauta ficou sendo o problema do retorno da inflação, que logo foi atropelado por outro, por outro e por mais outro.
Assim são as conversas de rua. Ninguém diz nada com nada e fica o dito pelo não dito.

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