Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Compreender, por Gabriel Novis Neves

29 de dez de 2014

Compreender, por Gabriel Novis Neves

Certa ocasião, o cartunista Ziraldo disse que para entender um idoso, só outro idoso. 
Em razão disto, chamou dois outros idosos, os jornalistas e escritores Zuenir Ventura e Luis Fernando Veríssimo para juntos escreverem uma peça de teatro mostrando o lado divertido da idade avançada. 
 “Somos três velhinhos interessantes, que estão escrevendo um musical sobre a velhice”, disse Veríssimo. 
Creio que eles estão se despedindo da velhice, pois a próxima etapa poderá ser - na pior das hipóteses - a senilidade, preocupante pela proximidade com a finitude. 
Lembrei-me do poeta amazonense Thiago de Melo, que lamenta ter crescido. Não se conforma em seguir o ciclo vital e ter se tornado um adulto. 
Em um dos seus poemas exaltou a sinceridade da criança, que sempre confia em outra criança. 
Ela ainda desconhece a praga social da hipocrisia. Na sua pureza, se gostar de alguma coisa fala e, se não gostar, fala também. 
Quando uma criança diz, ao se despedir de outra, que querem se encontrar no outro dia, pode ter certeza que este encontro acontecerá. 
No mundo adulto esse desejo quando manifestado em simples despedidas de um encontro casual, falamos o conhecido chavão - “amanhã nos falamos”. 
Quem promete e quem ouve, sabe que isso não é para valer, e temos dito. 
Se adultos não compreendem que leis foram feitas para serem cumpridas, o que esperar de compromissos menores? 
Até há pouco tempo uma lei proibia os nossos governantes de gastarem mais recursos que os arrecadados com impostos e taxas. 
Bastou uma eleição acirrada para que o governo estourasse com as nossas reservas do Tesouro Nacional. 
A solução para a infração cometida jamais seria aceita por crianças. 
Os adultos então fizeram uma negociata e, para “não quebrar o Brasil”, outra lei foi aprovada às pressas pelo Congresso Nacional. 
Só entende político, outro político! 
Esta é a realidade em um país onde há leis que pegam e outras não. 
A Lei da Responsabilidade Fiscal perdeu o seu prazo de validade, para satisfação dos poderosos. 
E o pagador de impostos desistiu de ter voz, pois não é compreendido pelos responsáveis por esta nação. 

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