Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Brasilão, por Gabriel Novis Neves

25 de mar de 2015

Brasilão, por Gabriel Novis Neves

Brasilão
Depois do escândalo do Mensalão, e atualmente do Petrolão, é bom que estejamos preparados para um provável Brasilão. 
É apenas uma questão de tempo, já que, denunciadas e investigadas outra estatais, com certeza virão à tona novos tentáculos dessa grande rede de corrupção, fruto de uma cultura que vem se deteriorando através de décadas. 
Com os poderes executivo, legislativo e judiciário minados na sua essência, somente reformas políticas urgentes, imediatas, conseguirão tirar o nosso país desse atoleiro em que se encontra. 
No entanto, a probabilidade dessas tão esperadas reformas virem de cima é mínima, pois não interessa a um Senado ou a uma Câmara corruptos votarem nada que modifique esse status quo. 
O privado e o público se organizaram em núcleos bem definidos, como mostram as primeiras investigações e, dessa forma, as instituições perderam a sua credibilidade. 
É preciso que a sociedade civil se organize rapidamente e imponha novas reformas, principalmente a política e a tributária, a fim de que se viabilize o exercício pleno da democracia. 
Urge que as instituições públicas trabalhem exclusivamente para o bem público, e não, que se tornem reféns do setor privado no eterno toma-lá-dá-cá que vem acontecendo nas últimas décadas. 
Que reformas poderemos esperar de um Congresso eleito pelo grande capital e tão somente para defender os interesses desse mesmo capital, nunca visando os interesses da sociedade como um todo? 
Quem diria que a cultura da delação premiada, outrora considerada coisa de traidores, iria ser apoiada pela maior parte da nossa população que, graças a ela, se vê  com a possibilidade de algum tipo de punição para esses usurpadores do bem estar coletivo? 
A crise política vem sendo acompanhada por uma séria crise econômica e põe o chamado Risco Brasil em alerta. 
Já somos considerados um dos países mais corruptos do mundo, afastando investidores de todas as partes. 
Frequentamos as páginas policiais dos maiores jornais do planeta que ressaltam as gangs organizadas por grande parte dos nossos políticos. 
O esquema em que operam as redes de corrupção de milhões e milhões de dólares, amplamente divulgado pela imprensa, está dividido em quatro núcleos: um núcleo político (deputados, senadores, governadores, ex-ministros, ex-líderes estudantis e até um ex-presidente da República); um núcleo econômico (grandes empreiteiras distribuidoras de propinas); um núcleo administrativo (pessoas colocadas em postos chave através de partidos políticos) e, finalmente, um núcleo financeiro, formado por operadores capazes de distribuir e lavar os frutos da imensa corrupção. 
Nessa organização modelar do mal, milhões e milhões de reais foram sangrados do patrimônio público, dinheiro este gerado pela grande massa trabalhadora brasileira  aviltada  pelos seus baixos salários e altos impostos. 
Não se trata mais de defender esta ou aquela ideologia, mas impedir que o fruto do nosso trabalho suado se escoe pelos ralos da corrupção acobertada por pessoas por nós eleitas para zelar pelo patrimônio público, e não, para assaltá-lo despudoradamente. 
Esperamos que a sociedade civil se posicione de uma maneira pacífica, mas firme, exigindo os seus direitos, exercendo a sua cidadania através de mudanças drásticas e imediatas em seus  sistemas  de organização ou, em poucos anos,  seremos os ricos mais pobres do planeta. 
Ainda há tempo de impedir um grande Brasilão! 
Acorda Brasil!

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