Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Sexo através dos tempos, por Gabriel Novis Neves

24 de mar de 2015

Sexo através dos tempos, por Gabriel Novis Neves

Sexo através dos tempos
Sexo, essa força vital, capaz de mover o universo, será sempre a grande razão da nossa existência.
Cantado em verso e prosa por todas as culturas, ele tem sido, a rigor, o motivador de grandes criações artísticas.
Travestido algumas raras vezes de amor, significa, por si só, a verdadeira razão da vida, a perpetuação das espécies.
Nós, os seres pensantes, tratamos de torná-lo cheio de nuances, de conformidade com a época, mas sempre funcionando como uma avalanche, impossível de ser contida pelas regras sócio-religiosas vigentes.
Os poucos que tentam negar ou sublimar a sua força estão, na verdade, se autoflagelando. Vide as várias religiões que tentam fazê-lo e as imensas crises que daí advêm.
No âmbito familiar o sexo sempre foi liberado, visando a sua razão precípua do “crescei e multiplicai-vos”.
O império romano, que durou mais ou menos quinhentos anos, foi palco das maiores orgias de que se têm notícia na história.
Guerras, artes e orgias pautavam a vida daquele povo. Destruição e criação se alternavam, como que numa dança macabra, e era prenúncio do fim de uma era.
Os tempos monárquicos, marcados pelo excesso das roupas em contraposição à total precariedade da higiene, mesmo assim vivenciavam a intensidade dos encontros amorosos palacianos.
Logo os franceses criaram as melhores essências do mundo capazes de neutralizar as reações causadas pelos olfatos mais exigentes.
Os aposentos imperiais, por exemplo, não possuíam sequer um quarto de banho. Fezes e urina eram colocadas em recipientes e jogadas nos jardins internos palacianos, quando não, lançados nas ruas através das janelas.
Na verdade, as pessoas viviam mais como animais e, tal como neles, a simples liberação de seus feromônios anulava qualquer tipo de rejeição mútua que a falta absoluta de higiene pudesse provocar.
Era o animal se entregando aos seus instintos.
Felizmente a saúde pública avançou e hoje isso faz parte da história da humanidade.
O sexo como pura fonte de prazer foi sempre exaltado para os homens e visto de forma pejorativa para as mulheres que, através de quatro mil anos de repressão, foram condicionando reflexos negativos em relação às práticas sexuais. Apenas às prostitutas era conferido o papel de verdadeiras companheiras sexuais.
Na era Vitoriana surgiu a figura do grande psicanalista Sigmund Freud e com ele os estudos correlacionando inúmeros casos de neuroses aos distúrbios de comportamentos afetivo-sexuais.
Com a morte de Freud, trabalhos nessa área foram continuados pelo brilhante Reich, que denominou de energia orgástica essa imensa força liberada durante o ato sexual e que, se sistematicamente reprimida, seria a responsável pelas inúmeras somatizações ocorridas em pacientes submetidos a esse quadro.
Estaria assim aberto o campo para o entendimento da sexualidade humana como fonte de saúde.
A partir daí o sexo passou a ter outras conotações. Nos dias de hoje, livres de preconceitos, homens e mulheres desfrutam do sexo pelo sexo como absoluta fonte de prazer, livre de culpas.
No mundo pós-moderno vem surgindo vários modismos sexuais. Muito mais incentivados pela indústria da pornografia, já considerada uma das mais rendosas do mundo, do que, efetivamente, pelas necessidades emocionais de seus praticantes. Os consultórios psicoterápicos sempre cheios comprovam isso.
Por outro lado, as mídias vêm hipertrofiando o erotismo, pois, ao associá-lo às marcas de refrigerantes, bebidas, cigarros e a vários outros bens de consumo, têm conseguido vendê-lo como mercadoria, o que, aliás, é extremamente prejudicial ao seu próprio desempenho.
Enfim, novos caminhos estão surgindo e a tecnologia, visando esse filão tão lucrativo, não para de lançar novos produtos apregoados como estimulantes milagrosos, como se a natureza precisasse disso.
Atualmente estamos vendo a proliferação das chamadas casas de suingue, representantes legal do dito sexo tribal, tão em moda.
Quem sabe, prenúncio do fim da era capitalista, em que o “culto às artes” foi substituído pelo “culto ao lucro”?
Cabe à humanidade optar entre o pleno desfrute de uma felicidade que lhe é intrínseca ou se deixar comprar pelas propagandas enganosas a que a ela são submetidas no cotidiano.
Quem viver, verá. 

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