Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Mitômatos, por Gabriel Novis Neves

23 de abr de 2015

Mitômatos, por Gabriel Novis Neves

Mitômatos 
Assim são conhecidos os viciados em mentira, ou seja, quando esta se torna uma compulsão. 
É considerado um distúrbio de personalidade. Estatisticamente cem entre mil adultos apresentam essa deformação. 
Seus portadores criam sempre histórias mais ou menos verossímeis de modo que suas mentiras sejam, na maioria das vezes, críveis. 
A medicina ainda desconhece tratamento para esse tipo de comportamento e imagina-se que ele esteja ligado a alguma falha no sistema nervoso central. 
O grave é que no dia a dia algumas vezes nos deparamos com pessoas com essa patologia, às vezes até em altos cargos da vida pública e privada. 
Uma das características é que a mentira sempre lhes favorece. Embarcam fundo no mundo fantasioso por elas criado e progressivamente não mais distinguem o real da mentira. 
Pessoas com esse perfil, quando vinculadas ao mundo político, causam profundos malefícios à sociedade. 
Como são despidas de autocrítica, imaginam-se distribuindo um manancial de vivências espetaculares que julgam somente suas e absolutamente intangíveis para os outros simples mortais. 
Estão sempre prontos a se beneficiarem de tudo e de todos, por menores que sejam as benesses, e possuem grande poder de persuasão para os menos avisados. 
Insuflados pela sede de poder levam suas viagens fantasiosas a todo tipo de megalomania. 
O pior é que as pessoas por elas governadas, confusas, também tendem a entrar nesse clima de bravatas quixotescas antes de se tornarem anestesiadas. 
As diversas mídias, inseridas no mercado de consumo, facilmente manipuladas pelas razões óbvias, acabam contribuindo para a divulgação desse mundo onírico e mentiroso. 
A história tem nos mostrado o caos em que mergulharam e continuam mergulhando povos liderados por mitômanos e por outros tipos de personalidades psicóticas. 
Para nós médicos, verdadeiros desnudadores da alma humana, fundamental para o entendimento das diversas patologias, é bem mais fácil o reconhecimento desses pobres falsários da mente. 
Isso, a bem da verdade, para aqueles que ainda se dedicam a elaborar uma boa e longa anamnese, e a um importante relacionamento médico-paciente daí decorrente. 

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