Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: A utopia do coletivo, por Gabriel Novis Neves

7 de mai de 2015

A utopia do coletivo, por Gabriel Novis Neves

A utopia do coletivo 
Um grande movimento libertário tomou conta do mundo a partir dos anos sessenta.
Não por acaso, esses foram chamados os anos dourados da humanidade, em que toda a juventude mundial sonhava e acreditava na possibilidade de um mundo melhor. 
Na França, o grande filósofo Jean Paul Sartre empolgava os jovens através de suas ideias inspiradas no grande filósofo suíço do século XXVII, este sim considerado um dos principais filósofos do iluminismo e o precursor do romantismo, Jean Jacques Rousseau. 
O objetivo era que a criança fosse criada de acordo com a natureza, desenvolvendo gradativamente seus sentidos e a razão. 
Daí surgiria um novo homem e uma nova sociedade, não mais atada a princípios hipócritas predeterminados, e sim, baseada na liberdade e na capacidade de julgar. 
Todos nós passamos a sonhar com um mundo melhor, sem mentiras, sem barreiras, com a total liberdade de expressão escrita e falada. 
Tudo era permitido e, num mesmo jornal, mesmo as divergências deveriam ser colocadas abertamente, numa discussão franca e para todos. 
Esse movimento atravessou as fronteiras europeias e se espalhou pelas Américas. 
Em 1973 aparecia em Paris um dos maiores jornais de todos os tempos, o La Liberation, nos quais os preceitos sartreanos eram exaltados, uma vez que seu diretor era um grande admirador do famoso filósofo.
Nos anos oitenta, com a morte prematura de Sartre, talvez tenha sido a última vez em que vivenciamos a utopia do coletivo. 
Nós aqui na terrinha, e também os nossos hermanos argentinos, sempre na contramão da história, vivíamos as duas mais cruéis ditaduras de que se tem notícia, sendo que a nossa durou vinte e um anos, enquanto a da nação amiga, apesar de mais curta, de apenas sete anos, foi a mais violenta relatada na história. 
Foram os anos conhecidos como de chumbo em nossos países. 
O mundo foi mudando e passando de analógico a digital. 
Mas isso é outra história, aliás, o La Liberation foi comprado há alguns anos por um poderoso banqueiro internacional, Rotchild. 
A utopia do coletivo foi substituída pelo mais egoísta dos mundos, em que apenas o bem estar de uma minoria poderosa passou a ter importância.  
O deus que rege essa nova era chama-se “DEUS LUCRO”, e as distorções sociais só fazem aumentar tornando o mundo atual um grande deserto de esperança para a grande maioria dos seres humanos. 
Ao que parece, substituir o “ser por consumir”, o “sedentarismo por esteiras”, a “velhice por clones de si mesmos” e a “infelicidade por psicotrópicos”, não vem dando muito certo.

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