Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Novas mães, por Gabriel Novis Neves

24 de jun de 2015

Novas mães, por Gabriel Novis Neves

Novas mães 
O Dia das Mães, de uma maneira ou de outra, nos remete à origem da vida. 
A maior parte da humanidade, tal como em todas as espécies animais, cumpre basicamente o seu papel reprodutor durante sua passagem aqui pela Terra. 
Daí a tão falada frase de que o sexo é a mola que impulsiona o mundo. 
O macho, com seu papel precípuo voltado para a reprodução em larga escala, procura honrar ao máximo a sua destinação na natureza fertilizando o maior número de fêmeas possíveis durante a sua existência. 
Corroborando isso, a sociedade faz com que o homem se vanglorie de suas conquistas amorosas, tornando-o tão mais admirado e amado em função dessas “qualidades”. 
A mulher, ao contrário, é desvalorizada pelo número de parceiros que ela possa ter tido. Muitas vezes são ferozmente discriminadas.  
Essa é a base da grande hipocrisia que tem atravessado os séculos e mantido as mulheres inferiorizadas e submissas com relação aos homens, detentores de um mundo sem limites. 
Felizmente, nesse século XXI, após anos de lutas pelo seu reconhecimento, a mulher adquiriu uma nova identidade: guerreira, bela, inteligente, sensual, inserida no mercado de trabalho, pronta para todos os desafios, inclusive, a de ser mãe solteira e arcar com todos os ônus de sua prole. 
Os homens devem se orgulhar dessas novas mulheres! Elas já entenderam que, para a harmonia predominar, é necessária a reciprocidade entre o homem e a mulher. 
Era comum que alguns homens, na falta de possibilidades de trocas intelectuais e emocionais mais expressivas com suas esposas, procurassem as chamadas “hetairas”, denominação dada na Grécia Antiga a essas mulheres especiais que, além dos atributos físicos, proporcionavam aos seus clientes momentos de discussões filosóficas e culturais. 
Portanto, desmistificando a imagem da “Rainha do Lar”, aquele ser antigo cheio de submissão e de tristeza, eu quero prestar a minha homenagem às mulheres que com a sua garra e coragem vêm tornando o mundo mais belo e menos preconceituoso. 
Que os novos filhos sejam criados mais leves, mais livres, mais verdadeiros e cada vez menos atados aos ditames sociais inescrupulosos que insistem em deturpar o que há de melhor no ser humano. 
Dessas novas mães, matrizes fundamentais da espécie, surgirão esses novos seres que, com certeza, serão o diferencial para a formação de uma sociedade mais plena e tranquila.  
Queixamo-nos muito de que vivemos em uma sociedade machista, mas quem, senão essas novas mães, poderão mudar essa ideologia, criando filhos que desde cedo aprendam a respeitar as pessoas, independentemente de seu gênero, de sua raça, de sua cor, de suas preferências sexuais ou religiosas. 
No nosso país a cada minuto uma mulher é estuprada, quadro assustador. 
Cabe a nós mudar essa realidade, ainda que inúmeros outros fatores contribuam para essa triste estatística. 
Em vez de estímulos puramente comerciais enaltecendo o Dia das Mães, o que devemos ter em mente é uma campanha extensa e intensa de conscientização quanto ao papel que cabe às novas mães nessa luta por um ser humano melhor. 
Amor e dedicação são atributos inatos das mulheres – esses seres tão privilegiados pela natureza!

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