Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Imitar, por Gabriel Novis Neves

25 de jul de 2015

Imitar, por Gabriel Novis Neves

Imitar 
Um antigo ditado popular que ouvi muito na minha infância era responder com um “não sei, não vi, não ouvi, não levo ninguém para a cadeia”. 
Quando algum segredo era revelado a uma pessoa de extrema confiança, logo os curiosos e bisbilhoteiros da vida alheia procuravam o detentor da confissão da verdade para saber detalhes sobre o acontecido. 
A resposta era invariavelmente aquelas palavras que se consagraram em ditado popular. 
Durante muito tempo isso parecia perdido no tempo. Para minha surpresa não é que ressurgiu  com toda força nos tempos atuais? 
Começou no escândalo do “mensalão” e agora no descalabro do “lava-jato”. 
Milhões de reais foram desviados dos cofres públicos em uma complexa operação envolvendo agentes públicos, políticos e empresários de firmas de grande porte. 
Quando descoberta a falcatrua, ninguém viu, ouviu dizer e  nada sabe.  
Os acusados juram de pés juntos inocência. O certo é que o dinheiro sumiu das outrora respeitadas estatais e as mesmas entraram em estado de alerta máximo para não fecharem as suas portas. 
Empresários poderosos presos aprenderam a lição de não esconder a verdade para a justiça, com as penas impostas aos operadores do mensalão. 
Resolveram, então, pedir a delação premiada, que consiste em informar com precisão todos os meandros utilizados para a ação criminosa. 
Se corretos, ajudando a justiça a desvendar as fraudes, terão suas condenações suavizadas. 
Tudo que é confessado à Justiça Federal em segredo, de repente, como num passe de mágica, é divulgado pela grande imprensa. São relatos impressionantes sobre o profissionalismo na arte de roubar. 
São executadas manobras contábeis, bancárias e jurídicas complicadíssimas para esconder o produto do assalto aos cofres públicos, transformando dinheiro podre em bom. É a famosa lavagem, tão em moda atualmente. 
Como o crime nunca é perfeito, aliado ao uso de tecnologias de ponta pelos investigadores, foi possível desvendar  todo o mistério dos crimes contra o Tesouro Nacional que abalaram e continuam abalando este país. 
Agora, a luta é jurídica para encerrar o rumoroso caso apelidado de “lava-jato”, corrupção jamais vista em nossa nação. 
Mais uma vez é o presente imitando com perfeição o passado no seu ditado popular.

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