Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Conselho antiético, por Gabriel Novis Neves

13 de dez de 2015

Conselho antiético, por Gabriel Novis Neves


Conselho antiético 
O que temos visto acontecer nas cinco últimas sessões do Conselho de Ética da Câmara, formado para aceitar ou rejeitar o processo de admissibilidade contra o presidente da Casa, tem sido absolutamente vergonhoso e antiético. 
Violência, não só física, mas também verbal, tem sido a tônica do espetáculo de mau gosto visto por todo o país através das redes televisivas. 
No decorrer da quinta sessão, sem que nada de concreto tivesse sido votado, o relator eleito foi subitamente destituído pela comissão da Câmara por ser considerado pertencente ao mesmo partido do réu. Um novo relator foi nomeado. 
Enfim, manobras tenebrosas sucessivas vão postergando um processo, não de cassação definitiva de mandato, mas de simples admissibilidade ou não de culpa. 
É obvio que esse afastamento do relator, já numa fase tardia da discussão no Conselho de Ética, faz com que tudo volte à estaca zero. 
É justo que esses senhores engravatados, que mutuamente se chamam de vossas excelências, pagos regiamente com o suado dinheiro do povo, continuem tripudiando sobre toda essa massa ingênua que lá os colocou justo para defendê-los? 
Cada vez fica mais patente o jogo de interesses pessoais, totalmente alheios aos cargos para os quais foram eleitos. 
A sociedade civil, paralisada, assiste atônita e envergonhada a um verdadeiro espetáculo circense em que verdadeiros acrobatas da lei de tudo fazem e a tudo se submetem para que o show continue segundo as ordens do dono do circo, ainda que manobras de alto risco estejam sendo impostas aos artistas, tudo em benefício de seus empreendedores. 
O que vem sendo feito com o povo brasileiro é de uma crueldade sem limites, onde se encontra aberto o sinal para uma assustadora degradação política, econômica e social do país. 
Patrioticamente tenho acompanhado esse festival de mau gosto, mas confesso que, em benefício da minha saúde física e mental, fui obrigado a interromper a visão pornográfica de tanto desmando e escárnio. 

No momento em que escrevia esse texto, era adiada pela sétima vez a decisão do “Conselho de Ética”, que passará para a história, talvez, como o mais antiético já visto. 

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