Mostre-me um exemplo TRIBUNA DE URUGUAIANA: Inventores, por Gabriel Novis Neves

16 de abr de 2015

Inventores, por Gabriel Novis Neves


Inventores 
Somos exímios “inventores dos inventados”. Poderia escrever longos artigos hilários sobre esta especialidade tão brasileira. 
Por pertencer à área da saúde pública, presto a minha homenagem à nossa grande invenção, que foi a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o maior e mais perfeito plano de saúde do mundo, no dizer de um ex-presidente da República. 
Sem a menor cerimônia, nos apropriamos de um modelo inglês de atendimento médico de abrangência universal e gratuito. 
Esquecemos, porém, de um pequeno detalhe ao implantarmos este tipo de sistema por aqui: faltou importar os ingleses. 
Parece jocosa a colocação, mas, a realidade, é que somos preconceituosos. A classe média não aceita ser tratada como pobre, e o SUS original propõe atendimento médico igual para todos. 
O SUS é visto por nós como um plano de saúde para atender a população carente, e a classe média tem repulsa em ser tratada como tal, embora viva necessidades na saúde, educação, emprego, segurança e transporte. 
Surgiram então os tais planos de saúde privados para atender a sempre crescente demanda desse segmento social. 
Na visão caolha desta decadente sociedade de consumo, o plano de saúde privado é visto como sinal de status social, como a aquisição de um celular pré-pago. 
Certos planos de saúde vendem malandragem e esperteza, fazendo o iludido usuário mofar nas longas filas de espera para marcar uma simples consulta ambulatorial, demonstrando assim ao incauto a pobreza dos seus direitos. 
Com a recessão econômica que acometeu há quatro anos o nosso país, causada pelos “inimigos internos”, há uma forte migração para o SUS, totalmente desestruturado. 
Consultas básicas ainda são realizadas gratuitamente em Centros de Saúde e nas moderníssimas UPAS (Unidades de Pronto Atendimento e Assistencial), sendo este espaço ocupado, basicamente, por gestantes, crianças e idosos. 
Uma modernização por parte do governo na agenda das consultas nos PSFs e serviços auxiliares, fará com que grande parte da população perceba o equívoco do desperdício de dinheiro com um plano de saúde privado e passe a se utilizar do SUS. 
Combateremos o preconceito contra os pobres e ampliaremos a oportunidade de um bom atendimento médico para todos. 
Vontade política é o gatilho a ser apertado neste “início de governo de novas mudanças”.

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